Moradores da Avenida Flaviano Guimarães, no Centro de Juazeiro, no Norte da Bahia, assistiram na noite dessa segunda-feira (29), à mais uma “guerra de fogos”, uma “brincadeira” antiga que acontece sempre nesse período junino, e que, além de tirar perturbar o sossego de quem reside nas adjacências, põe em risco a integridade física de moradores.
Ainda na noite de ontem, desesperados, moradores entraram em contato com a redação do PNB para denunciar o início de mais uma batalha, que costuma acontecer entre grupos de jovens que residem nas proximidades da Av. Flaviano Guimarães, rua Francisco Martins Duarte, e Ruas 1, 2 e 3. Os moradores pediram a intervenção da Polícia Militar e da Guarda Municipal para coibir a “brincadeira”, que além da Lei do Silêncio, desrespeita o toque de recolher, medida de enfrentamento a pandemia do novo coronavírus, que vai das 18h às 5 horas da manhã.
O inspetor-chefe da Guarda Municipal, Israel Marcos, em entrevista ao PNB, contou que a noite de ontem foi uma das piores ocorrências do tipo atendidas pela Guarda Municipal, haja vista a grande quantidade de participantes e de artefatos de fogo utilizados. Ele destacou ainda que a participação, em grande quantidade, de crianças e adolescentes, torna a situação ainda mais preocupante, e pede apoio e maior atenção de pais e responsáveis.
“A maioria são adolescentes e crianças que moram ali nas redondezas. Cadê os pais desses jovens? Será que só a Guarda Civil, a polícia e a imprensa veem? Precisamos trabalhos juntos. É uma situação muito complicada”, disse Israel Marcos.
Ainda segundo o inspetor-chefe da GCM, além da Flaviano Guimarães, nesta segunda-feira também foram registrados pontos de guerra em bairros como Maringá, Alto da Maravilha e Brisa da Serra. Durante as ações de fiscalização na área central da cidade, duas pessoas chegaram a ser presas por participação na “guerra de fogos”. Os jovens, de 25 e 20 anos, foram apresentados na Delegacia Territorial da Polícia Civil após disparar fogos de artificio em direção a viatura da guarda. A motocicleta utilizada pelos jovens para cometer o delito também foi apreendida.
Na semana passada, uma pessoa também chegou a ser presa, no Maringá, por participar da “brincadeira” perigosa (relembre).
Para Israel Marcos, a falta de medidas de punição incentiva a manutenção da prática nas ruas de Juazeiro.
“Não temos medidas efetivamente de punição, e para a questão dos fogos, que entende-se que é de potencial baixo, não temos nada. Eles são conduzidos para a delegacia e lá são liberados. No outro dia, ou até mesmo na mesma noite, eles estão de volta nas ruas”, destacou.
Financiamento
Essa não é a primeira vez que a “guerra de fogos” acontece, nesse mês de junho, na Avenida Flaviano Guimarães. No dia 7 de junho, o PNB publicou matéria trazendo o desabafo de diversos moradores, que se dizem preocupados e revoltados com a situação (relembre).
Uma outra grave acusação, que foi relatada pelos próprios moradores na publicação dessa matéria anterior quanto na situação de ontem à noite, diz respeito ao financiamento da “guerra de fogos”. Os moradores contam que políticos, pré-candidatos e empresários estão sustentando a realização da batalha.
Segundo os moradores, esses financiadores compram as caixas de fogos de artificio e distribuem, gratuitamente, aos participantes, o que garante a manutenção da prática. A denúncia foi relatada pelos moradores ao PNB e também à Guarda Civil Municipal, conforme relatou o inspetor-chefe Israel Marcos. Nomes não foram divulgados.
Os moradores podem entrar em contato com o 153, Guarda municipal, ou 190, central da PM.
Fonte: Preto no Branco







