domingo, 8 de novembro
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Por Rogenilson Reis 11 min de leitura

Pré-candidato ao governo da Bahia anunciou que fará um pente-fino nos 23 empréstimos já contratados, que somam cerca de R$ 26 bilhões

Por Rodrigo Daniel Silva

Ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil) Crédito: Marina Silva/Arquivo CORREIO

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Pré-candidato ao governo da Bahia, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) afirmou que, se eleito, fará uma reorganização profunda das contas estaduais. “Não vou aceitar um estado quebrado”, declarou, ao prometer enxugar a máquina pública, reduzir secretarias e cortar despesas que considera desnecessárias para ampliar a capacidade de investimento em áreas essenciais.

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Ele também anunciou que fará um pente-fino nos 23 empréstimos já contratados, que somam cerca de R$ 26 bilhões. A ideia, segundo disse, é avaliar contratos, prazos e objetos antes de decidir o que será mantido ou reavaliado. Sobre a Ponte Salvador–Itaparica, defendeu a importância estratégica do projeto, mas afirmou que irá revisar a viabilidade econômica e dialogar com os parceiros chineses antes de qualquer decisão definitiva.

Na educação, prometeu revogar no primeiro dia a portaria que ficou conhecida como aprovação automática. Já na segurança pública, classificou a violência como o maior problema da Bahia e afirmou que o estado precisa retomar o controle do território com mais autoridade, valorização das polícias e enfrentamento direto às organizações criminosas.

Ao confirmar o ex-ministro João Roma (PL) e o senador Angelo Coronel (ainda sem partido) como prováveis integrantes da majoritária oposicionista, ACM Neto declarou ainda que pretende anunciar a chapa completa até o final de março.

O que mais preocupa hoje na Bahia, e as pesquisas deixam isso claro, é a segurança pública. Na sua avaliação, essa situação ainda pode ser revertida? O que, de fato, precisa ser feito para enfrentar e resolver o problema?

É claro que dá pra resolver. Eu me lembro que em 2012, quando eu fui candidato a prefeito de Salvador, todo mundo dizia que a cidade estava quebrada, que não tinha jeito, não tinha dinheiro para tapar um buraco, mudar a iluminação, coletar o lixo. E eu me elegi com o compromisso de resolver e resolvi. Eu trago esse exemplo porque muitos acham que não tem como melhorar a segurança pública. Diz que é um problema nacional, não, é um problema da Bahia, que tem cinco das dez cidades mais violentas do Brasil, que está há dez anos em primeiro lugar no número de homicídios.

A primeira coisa para resolver é o envolvimento direto do governador. É o governador chamar para si a responsabilidade, encarar o problema de frente, ter autoridade, coragem, fazer um pacto com a corporação. Eu diria que a polícia é o coração de tudo isso. Sem a polícia, a gente não consegue. E aí isso passa por valorizar a carreira, melhorar salário, melhorar condição de trabalho, dar apoio psicossocial, chegar junto das famílias, garantir inteligência e investimentos em todo o aparato de investigação e de tecnologia. Significa também ter capacidade de construir novos presídios de segurança máxima, espalhá-los pelo estado e agir com rigor no enfrentamento ao crime organizado. Não é possível que o crime tome conta do território. Isso é uma inversão completa. Quem tem que tomar conta do território é o estado, é o poder de polícia do estado. Então, tem como resolver. Agora é preciso ter vontade e coragem.

Um dos principais desafios hoje é o avanço das organizações criminosas. Há uma percepção de que o estado perdeu a capacidade de enfrentá-las. Parte da população já não acredita que seja possível desmantelar essas estruturas. Como reverter esse cenário? O que precisa ser feito, na prática, para enfraquecer essas organizações?

É simples, podemos mostrar o exemplo de Goiás, do governador Ronaldo Caiado. Lá não tem organização criminosa, porque o bandido que vai para lá sabe que vai enfrentar um estado forte, com autoridade. Se o cara for lá e aprontar, o estado vai lá e vai prendê-lo, que vai ser efetivo na punição, o que não acontece na Bahia. Então, a gente poderia citar vários exemplos. Eu estou citando o Goiás porque todo mundo sabe da minha relação com o Ronaldo Caiado, e é, para mim, um parâmetro nessa questão da segurança pública. Então, não é verdade que é um problema do Brasil, que todo lugar é assim e tal.

Se você comparar com o passado, o Rio de Janeiro tinha uma situação muito pior do que a Bahia. São Paulo tinha uma situação muito pior do que a Bahia, agora a Bahia é pior de todos no Brasil. Então, dá para resolver, agora tem que ter vontade.

O atual governador é parceiro do presidente e não resolveu (o problema da violência na Bahia). Então está muito claro que esse não é o caminho.

ACM Neto

Ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia

Muito se discute que a solução para a crise na segurança pública passa necessariamente por uma atuação conjunta entre o governo do estado e o governo federal. Essa parceria é indispensável?

O atual governador é parceiro do presidente e não resolveu. Então está muito claro que esse não é o caminho. A solução, a senha, a chave não está aí. Porque se estivesse aí, a Bahia não estaria vivendo o que está vivendo hoje na segurança pública. É claro que o problema da segurança exige um governo que articule com o poder público municipal e o poder público federal. Agora, a parceria pela parceria não significa nada e o maior exemplo é o fracasso de Jerônimo Rodrigues, que é parceiro do atual presidente Lula.

Na área da educação, o governo Jerônimo Rodrigues editou uma portaria que ficou conhecida como “portaria da aprovação em massa” na rede pública estadual. Caso seja eleito governador, qual será a sua posição sobre essa medida?

Será revogada no primeiro dia. Não há hipótese de eu aceitar a aprovação automática. A aprovação tem que se dar mediante o aprendizado do aluno e mediante a avaliação dos professores e da escola. Não podia ter havido pior comando do governador do que esse da aprovação automática. Basta a gente ver que nenhuma escola particular acontece isso. Então, a gente vai estar aumentando esse fosso que existe da rede pública. Vai estar condenando o futuro desses jovens e eu não vou topar isso. Essa portaria vai ser revogada no primeiro dia, e os professores terão autonomia e liberdade para avaliar os alunos e aqueles que merecerem passar vão passar.

(A portaria da aprovação em massa) será revogada no primeiro dia, se eu for eleito governador da Bahia

ACM Neto

Ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia

Em relação aos empréstimos já contratados – 23 operações que somam cerca de R$ 26 bilhões -, o que fará caso seja eleito governador?

Primeiro, uma avaliação do que efetivamente está contratado e quais são as obrigações, em quanto tempo eles têm que ser cumpridas, qual é o objeto, porque hoje é muito nebuloso. Eles aprovam empréstimos na Assembleia, muitas vezes, sem sequer detalhar qual é o objeto do empréstimo. Então, a gente vai fazer uma avaliação bem detalhada. Claro que eu não tenho nenhum problema de manter e continuar o que for importante para o estado. Mas dentro de uma ótica de assegurar o equilíbrio das contas do estado, de garantir a capacidade de pagamento do estado, o que eu fiz na prefeitura de Salvador durante oito anos. Eu acho que um dos maiores legados que a gente deixou foi ter organizado as contas da prefeitura. A prefeitura estava quebrada e a gente mudou essa realidade. Eu não vou aceitar um estado quebrado, até porque um estado quebrado não consegue investir em segurança pública, em saúde, em educação, infraestrutura e nada. Então, a gente vai organizar as contas do estado, os empréstimos que forem positivos nós vamos dar continuidade, e eventualmente se tiver algum que não faça sentido, a gente pode reavaliar.

Enxugar a máquina pública será, então, uma das suas primeiras metas de governo?

Eu farei isso. Eu acho que o estado tem muitas secretarias, algumas pastas desnecessárias, algumas atividades que não se justificam. E eu fiz na prefeitura de Salvador, assim que assumi, reduzi o tamanho da prefeitura. E a lógica vai ser a mesma, gastar menos com o governo e mais com o cidadão. Gastar menos com a máquina e mais com o estado. É o que nós vamos fazer.

Qual será a sua posição em relação ao projeto da Ponte Salvador–Itaparica? Pretende dar continuidade à iniciativa ou reavaliar os termos do contrato?

A ponte é muito importante. Em relação à importância estratégica da ponte, ninguém discute, para Salvador, as ilhas, o Recôncavo, o Baixo Sul, e para a Bahia. É um projeto muito importante. Mas eu não vou tocar esse projeto com promessa, com propaganda, com discurso. Então, nós vamos sentar, vamos ter que avaliar a viabilidade econômica do projeto. Vamos ter que conversar com os chineses, que estão hoje tocando. Eu estive na China no ano passado e disse às autoridades chinesas que, se eu tiver a oportunidade de ser eleito governador, eu faço questão de sentar com eles, com as empresas, para tentar tirar o projeto do papel. Mas não vai ser com promessa, não vai ser com propaganda, vai ser com trabalho real.

O que falta para anunciar a chapa completa?

A gente tem tempo, estamos no começo do ano. Eu tinha avisado e vou manter a intenção de ser fechada e, até o final de março, ser anunciada. Avançamos bastante em relação ao Senado. Os dois nomes prováveis para disputar o Senado são: João (Roma) e (Angelo) Coronel. E agora a gente vai, depois de consolidar a aliança com o Coronel, se debruçar sobre a questão da vice, para entender quem é que agrega mais e poder anunciar até o final de março.

Na eleição deste ano, o senhor deverá apoiar um candidato à Presidência da República. Que critérios e perfil pesarão na sua decisão?

Primeiro, é a sua identidade. Que eu acredite. Que eu tenha sintonia. Que eu possa defender para mim mesmo e depois para as outras pessoas. E, obviamente, não será um candidato do PT. Essa é a certeza que eu tenho. Nós vamos buscar uma linha de oposição para mudar o Brasil, para defender um futuro diferente para o nosso país. E aí vamos ver até o meio do ano como é que vai se configurar, porque existem muitas incertezas sobre as candidaturas. E a ideia é ter sim um candidato, anunciar apoio a um candidato a presidente da República. E isso ocorrerá até o início da campanha eleitoral.

A recente queda na popularidade do governo Lula, inclusive no Nordeste, tradicional reduto eleitoral, é um sinal claro de insatisfação do eleitorado? Ao que atribui esse movimento?

Tem dois fatos, e eu gosto de trabalhar sempre com os fatos. O primeiro fato é que Lula ainda é forte no Nordeste e ainda tem um peso político no Nordeste. O segundo fato é que essa força, esse peso, não é igual ao passado. É muito menor do que foi em 2022. O que naturalmente nos anima e nos faz acreditar que é possível construir uma campanha na Bahia vitoriosa e que, ao contrário de 22, que Lula veio aqui e resolveu a eleição, isso não vai acontecer agora.

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