O presidente da Federação dos Consórcios Públicos do Estado da Bahia (FECBahia) e prefeito de Capim Grosso, Sivaldo Rios, defendeu nesta terça-feira (20) a retomada do forró tradicional como eixo central dos festejos juninos e criticou a escalada dos cachês de artistas nacionais, que, segundo ele, tem encarecido o São João e pressionado as finanças municipais. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB), em Salvador.
Para o gestor, o modelo atual de festas, baseado na contratação de grandes nomes do cenário nacional, distanciou os eventos das tradições nordestinas e criou uma competição entre prefeituras. “No retorno do forró pé de serra, da Zabumba, da Sanfona, do Triângulo, porque quem encareceu as festas foram os grandes artistas nacionais, porque hoje não se faz mais forró pensando nas tradições”, afirmou.
Sivaldo Rios avaliou que a entrada mais forte dos municípios na organização dos festejos alterou a dinâmica do mercado e elevou os custos. “Acho que a gente começou a ser impactado, acabaram as festas, chamadas festas fechadas na Bahia, porque as prefeituras passaram a concorrer e aqueles grandes empresários deixaram de ganhar o dinheiro porque estavam concorrendo da prefeitura, pensando nisso além da oferta da procura”, disse.
Segundo ele, a comparação entre festas de cidades vizinhas contribuiu para inflar os gastos públicos. “Todo mundo quer fazer uma grande festa, se o Carlos faz uma festa em Riachão do Jacuipe o povo da minha cidade quer comparar Riachão e Capim Grosso, quer comparar Capim Grosso com Senhor do Bonfim, então virou um termômetro de quem coloca os melhores artistas”, afirmou.
O prefeito alertou para os efeitos desse modelo após o período junino. “E quando passa o São João, fica as dívidas do município, é fato. O município passam a ter dificuldade, passou a assumir seus compromissos”, disse. Para ele, a articulação entre os municípios pode ser uma saída para conter gastos e preservar a cultura regional.
Sivaldo Rios defendeu a construção de um acordo coletivo entre as prefeituras para estabelecer limites de gastos e priorizar artistas locais e regionais. “Essa união pra mim é uma das maiores e mais importantes que nós temos aqui esse ano, já começa bem, porque além da oferta da procura, os municípios se entendem, se unem, todo mundo define um teto e aí a gente vai tocando o forró pé de serra, zabumba, o Triângulo, artista do Capim Grosso, de Riachão e Mairi”, afirmou.
Segundo o presidente da FECBahia, a proposta envolve ainda o diálogo com órgãos de controle. “A gente faz essa união aqui, a gente traz ao Ministério Público, o TCM, pra referendar e a gente sai da pressão do povo, porque assim, a gente tá fazendo economia em dinheiro do povo”, disse.
Para ele, a mudança de rumo é necessária para preservar a identidade cultural do Nordeste. “Não é justo você gastar de 5, 6, 7 milhões e, aleatoriamente, sepultando a nossa tradição, que é o forró, pé de serra, que é a tradição do nordestino. A gente pode virar a chave e manter viva a cultura do nosso nordeste”, concluiu.








