Às vezes dá vontade de parar.
De silenciar.
De não responder.
De não insistir.
Porque a política cansa. Cansa a alma, cansa o corpo, cansa o coração. Principalmente quando você é mulher. Principalmente quando ousa. Principalmente quando não aceita caber no lugar pequeno que esperavam que você ocupasse.Ser mulher na política é aprender a respirar fundo quando te diminuem. É engolir o choro antes de uma reunião. É sorrir enquanto por dentro você está tentando juntar os pedaços. É ouvir que você é “emocional demais”, “forte demais”, “ambiciosa demais” — como se existir com coragem fosse um defeito.
E dói.
Dói quando tentam apagar sua trajetória.
Dói quando questionam sua capacidade.
Dói quando outras mulheres, que poderiam caminhar ao seu lado, escolhem te atingir.
Mas mesmo doendo, eu escolhi não endurecer.
Eu escolhi continuar acreditando.
Acreditando que podemos ousar.
Ousar ocupar.
Ousar liderar.
Ousar decidir.
Ousar sonhar alto, mesmo quando dizem que é demais.
A política tenta nos abater, mas não consegue nos definir.
Porque toda vez que eu penso em desistir, eu lembro de quem eu sou. Lembro da menina que entrou nesse espaço cheia de esperança. Lembro das mulheres que me olham e enxergam possibilidade. Lembro que servir e transformar vidas em Juazeiro nunca foi sobre aplausos, sempre foi sobre propósito.
Nós podemos continuar.
Podemos recomeçar quantas vezes for preciso.
Podemos ser sensíveis e fortes ao mesmo tempo.
Podemos chorar hoje e liderar amanhã.
Ousar não é ausência de medo.
É seguir mesmo com ele.
E eu sigo.
Sigo porque sei que cada passo abre caminho para outra mulher.
Sigo porque sei que a transformação não acontece sem resistência.
Sigo porque minha voz não nasceu para ser pequena.
Se a política tenta nos abater, nós aprendemos a nos levantar com mais consciência, mais estratégia e mais coragem.
E enquanto houver espaço a conquistar, injustiça a enfrentar e vidas a transformar, eu continuarei ousando.
Porque parar não é uma opção.
E desistir nunca foi parte da minha história.
Lorena Pesqueira
Psicóloga e militante políticaLorena Pesqueira








