Uma mulher morreu e outras 117 pessoas deram entrada em unidades de saúde na cidade de Pombal, no Sertão da Paraíba, após ingerirem comida em uma pizzaria no município. A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar o caso e a Vigilância Sanitária interditou o estabelecimento.
O g1 separou as principais informações sobre o surto de intoxicação alimentar em Pombal, incluindo a morte de uma mulher, os atendimentos realizados e as ações das autoridades para investigar as circunstâncias do caso.
Cerca de 118 pessoas precisaram de atendimento em duas unidades de saúde, entre o domingo (15) e a noite de terça-feira (17) após comerem na pizzaria. Os pacientes apresentaram sintomas como náuseas, vômitos, dores abdominais, diarreia e mal-estar geral. Os atendimentos ocorreram na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município e no Hospital Regional de Pombal.Segundo a UPA, 44 pacientes foram atendidos na unidade com sintomas relacionados ao quadro de intoxicação alimentar. No local, os pacientes relataram em comum o consumo de pizza proveniente do mesmo estabelecimento comercial da cidade, consumida ainda na noite do domingo.
No Hospital Regional de Pombal, outras 74 pessoas também deram entrada com sintomas semelhantes, sendo 36 atendimentos no domingo (15) e 38 na segunda-feira (16).
A UPA de Pombal e o Hospital Regional de Pombal informaram que todos que deram entrada nas unidades receberam atendimento e tiveram alta.
A mulher que morreu após comer em uma pizzaria foi identificada como Raíssa Maritein Bezerra e Silva, de 44 anos. Na noite do domingo (15), ela foi para o estabelecimento com o namorado comer uma pizza de carne de sol. O namorado passou por atendimento após comer o alimento, mas não teve problemas mais graves de saúde.
Raíssa Maritein, engenheira agrônoma e servidora pública, foi descrita por familiares como uma pessoa “alegre e acolhedora”.
“Era uma pessoa alegre, simples, acolhedora. Raíssa era servidora pública, engenheira agrônoma, não tinha filhos e não era casada. (Era) divertida”, disse a prima, Izabele Freitas.
Em nota, o Hospital Regional de Pombal afirmou que a “paciente apresentou rápida evolução clínica, sendo prontamente assistida pela equipe médica e encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), já em estado geral gravíssimo, com sinais compatíveis com um quadro infeccioso grave”.
Ainda no domingo, após retornarem para casa, os dois começaram a passar mal e foram para o Hospital Regional, receberam atendimento e foram liberados. No entanto, na manhã de segunda-feira (16), a mulher deu entrada novamente na unidade de saúde, onde permaneceu internada até vir a óbito nesta terça-feira (17).
Exames periciais com o material encontrado na pizzaria e também no corpo da mulher morta vão ser feitos, tanto pela Polícia Civil quanto por órgãos de saúde, como a Agevisa-PB, respectivamente. Ainda não há prazo para a realização desses exames.
O velório dela acontece no Auditório da UBS Solar das Oiticicas, em Pombal. O sepultamento da vítima vai acontecer na quarta-feira (18), às 8h, no Cemitério São Francisco, também em Pombal.
O estabelecimento foi interditado na segunda-feira (16) pela Vigilância Sanitária de Pombal. Na manhã desta terça-feira (17), uma equipe da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa) foi até Pombal para realizar uma nova vistoria no estabelecimento.
Na vistoria, a Agevisa encontrou problemas como pragas, insetos, falta de documentação obrigatória, alimentos mal acondicionados, condição térmica inadequada e outras inadequações.
Os agentes sanitários relataram ausência de documentos que comprovassem a adoção de Procedimentos Operacionais Padrão (POPs), além da inexistência de protocolos de higiene e de controle de pragas. Segundo o inspetor sanitário da Agevisa, Sérgio Freitas, o local apresentava falhas que impediam qualquer funcionamento.
“O estabelecimento estava em total desconformidade com a legislação sanitária. Não tinha condições de funcionar em hipótese alguma. Com relação à falta de higiene, não foi apresentado nenhum documento comprobatório de protocolos. Foram observados insetos, conforto térmico terrível, falta de conservação adequada dos alimentos, equipamentos oxidados e reaproveitamento de vasilhames de alimentos já utilizados. Está em total desconformidade”, afirmou Sérgio Freitas.
A secretária municipal de saúde, Luciana Melo, informou que a Vigilância Sanitária do município foi notificada ainda no domingo (15) e realizou a inspeção com recolhimento de materiais para análise no Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB). O prazo estimado para a conclusão dos laudos é de cerca de uma semana.g1 Paraiba Foto reprodução Tv Cabo Branco








