O Ministério Público da Bahia (MP-BA) instaurou um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para apurar o suposto envolvimento do ex-deputado federal Geddel Vieira Lima (MDB) em um esquema de corrupção e facilitação de fuga no sistema prisional baiano. A investigação aponta que Geddel teria recebido R$ 1 milhão em propina para viabilizar a fuga de Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como “Dadá”, liderança do Comando Vermelho no sul do estado.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. A suspeita surgiu a partir da Operação Duas Rosas, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) na última quinta-feira (16). O nome da operação faz referência ao código “rosas”, utilizado pelos envolvidos para se referir a valores em dinheiro.
Segundo as investigações, o montante total da vantagem indevida seria de R$ 2 milhões, dos quais metade seria destinada a Geddel, tratado nos diálogos como “chefe”.
Prints mostram ‘chefe’ cobrando que as ‘rosas chorassem’
Os promotores se baseiam em mensagens de WhatsApp extraídas dos celulares de alvos da operação e no depoimento de Joneuma Silva Neres, ex-diretora do presídio de Eunápolis.
Em acordo de delação premiada, Joneuma afirmou que foi indicada ao cargo por influência política de Uldurico Júnior, também ex-deputado e preso preventivamente na operação. Segundo a apuração, Uldurico enviava capturas de tela de conversas com um contato salvo como “Geddel” que cobrava o repasse dos valores, com pressões constantes para que as “rosas chorassem”, sob alegação de que o “chefe” aguardava a quantia.
O inquérito detalha que a gestão de Joneuma permitia regalias a detentos, incluindo a entrada de eletrodomésticos, visitas sem registro e até a contratação de uma baiana de acarajé para servir refeições na unidade.
O que diz Geddel
Geddel Vieira Lima cumpriu pena por ter escondido R$ 51 milhões em um apartamento alugado em Salvador em 2017, mas negou qualquer participação no novo episódio. Em nota, o ex-deputado afirmou ser vítima de conversas de terceiros.“Há uma conversa entre dois criminosos que citam meu nome. Qualquer um pode ser vítima de uma conversa em que se usa o nome de terceiros”, declarou Geddel ao jornal.
O Ministério Público agora busca confirmar se os prints de conversas apresentados por Uldurico à delatora são autênticos e se houve o efetivo repasse de valores ao emedebista. Além da fuga de “Dadá”, outros 15 detentos deixaram a unidade em dezembro de 2024 em circunstâncias sob investigação.







