Na Aldeia Missão Velha, em Curaçá, no norte da Bahia, um movimento liderado por mulheres indígenas Tumbalalá vem fortalecendo a cultura ancestral, promovendo autonomia financeira e criando novas perspectivas para o futuro da comunidade.
O projeto “Tumbalalá Arte, Cultura e Empreendedorismo”, realizado através do Edital nº 20/2024 – Economia Criativa – PNAB, tornou-se uma importante ferramenta de transformação social dentro do território indígena.
Ao longo de seis meses de execução, mais de 30 mulheres indígenas participaram de oficinas, capacitações e vivências voltadas para o artesanato sustentável, empreendedorismo, comunicação digital e fortalecimento cultural. O projeto possibilitou que as participantes desenvolvessem bolsas artesanais utilizando recursos naturais da própria região, como a fibra da bananeira e fios sustentáveis, criando peças únicas carregadas de identidade, tradição e inovação.
Mais do que a produção artesanal, o projeto promoveu o resgate de saberes tradicionais e o fortalecimento da autoestima das mulheres indígenas, que hoje enxergam na própria cultura uma oportunidade real de geração de renda e desenvolvimento coletivo.
Segundo a coordenação do projeto, o impacto gerado vai além da formação técnica.
“Esse projeto mudou a trajetória de muitas mulheres da comunidade. Hoje elas se reconhecem como artesãs, empreendedoras e guardiãs da própria cultura. O artesanato passou a representar também independência financeira e esperança para muitas famílias”, destacou a equipe organizadora.
Além das oficinas, o projeto realizou a construção de um espaço cultural amplo, acessível e seguro dentro da aldeia, destinado ao desenvolvimento de atividades culturais, reuniões, produções artesanais e fortalecimento das tradições Tumbalalá. O espaço também se tornou um ambiente de convivência comunitária e preservação cultural.
Outro destaque foi a aquisição de equipamentos e materiais que irão garantir a continuidade das produções por muitos meses, permitindo que as mulheres sigam produzindo mesmo após o encerramento oficial das atividades formativas.
O projeto também investiu na comercialização das peças produzidas. Um site foi criado para permitir a venda digital dos produtos, ampliando o alcance das artesãs para novos mercados e consumidores interessados em moda sustentável e artesanato indígena autêntico. Além disso, as mulheres já se organizam para participar de feiras culturais, exposições e da tradicional Festa dos Vaqueiros de Curaçá.
Como parte das ações culturais, também foi produzido um documentário sobre a trajetória do projeto e das mulheres indígenas participantes. O filme foi exibido durante a Festa Indígena da Aldeia Missão Velha e agora passa a circular nas plataformas digitais, ampliando a visibilidade da cultura Tumbalalá para diferentes públicos.
A experiência vem incentivando ainda a criação de uma futura cooperativa indígena de artesanato sustentável, fortalecendo a organização coletiva e criando possibilidades duradouras de desenvolvimento econômico dentro da comunidade.
O projeto “Tumbalalá Arte, Cultura e Empreendedorismo” demonstra como a cultura pode ser uma poderosa ferramenta de transformação social, preservação ancestral e construção de um futuro mais justo, sustentável e próspero para os povos indígenas do semiárido baiano.Delaides Rodrigues Paixão








