Demissão de médicas após 17 anos levanta suspeitas de perseguição política e expõe crise interna no Hospital Regional de Juazeiro; OSID é alvo recorrente de denúncias  

A demissão das médicas Vanessa Tanuri e Jaqueline Tanuri, ocorrida na semana passada, tem gerado forte repercussão e levantado questionamentos sobre possível perseguição política dentro do Hospital Regional de Juazeiro, administrado pela OSID- Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), contratada pelo Governo do Estado.

As profissionais, que atuaram por 17 anos na instituição, são irmãs do vereador Alex Tanuri (PT), que recentemente fez críticas públicas à gestão estadual. As demissões ocorreram dias depois das declarações do parlamentar, o que levanta suspeitas de retaliação.

“São 17 anos de dedicação, de compromisso com a população, e de repente somos desligadas sem justificativa plausível. Não tem como não relacionar com o momento político”, afirmou uma das médicas.

A outra profissional também reforçou o sentimento de injustiça: “Sempre exercemos nossa função com ética e responsabilidade. O que estamos vivendo agora é uma situação muito difícil, que precisa ser esclarecida”, disse.

Em um áudio gravado no momento em que o diretor da instituição demite uma das profissionais, quando ela questiona a medida, o diretor Marcos Pinto responsabiliza a gestão estadual pelos desligamentos das médicas.

Confira trechos da conversa gravada

“Vocês estão me demitindo por eu ser Tanuri.”

Ao que o diretor responde: “A gente está aqui, depois de uma conversa com a alta gestão do Governo do Estado. Decidiram que fizesse essa reestruturação na unidade e pediram pra gente fazer seu desligamento. Eu estou aqui sendo portador dessa notícia”.

Denúncias recorrentes

As demissões acontecem em meio a uma série de denúncias já divulgadas pelo portal Preto no Branco, feitas por funcionários da unidade, que apontam um ambiente de trabalho cada vez mais desgastado e hostil.

De acordo com relatos de servidores que preferiram não se identificar por medo de represálias, há um clima constante de tensão dentro do hospital.

“Aqui virou um ambiente hostil. A gente trabalha com medo. Qualquer posicionamento pode custar o emprego, pois trabalhamos sob ameaças e muito desrespeito por parte do direto da unidade”, disse um funcionário.

Outro profissional relatou episódios de assédio moral e falta de condições adequadas de trabalho.

“A pressão é diária. Falta estrutura, falta respeito, e ainda temos que lidar com atrasos salariais. É desumano. O governo do estado já tem elementos suficientes para afastar essa empresa”, afirmou.

Há também queixas sobre a condução da gestão da unidade.

“A direção não dialoga, não escuta. As decisões são impostas. E quem questiona, sofre consequências”, denunciou outro servidor.

As denúncias reforçam um cenário preocupante dentro da instituição, que deveria ser referência em atendimento e acolhimento, mas que, segundo os relatos, enfrenta uma crise interna marcada por insatisfação, insegurança entre os profissionais e paralisação dos serviços.

“Em um curto espaço de tempo, os médicos fizeram duas paralisações por falta de pagamento. A incompetência da gestão do hospital tem prejudicado o atendimento à população e o Governo do Estado vem fazendo vistas grossas, ou seja, é omisso e fecha os olhos para os desmandos dos prepostos da OSID que atentam contra os profiossinais de saúde e também contra os pacientes”, desabafou um funcionário.

Na semana passada, o PNB solicitou uma nota de esclarecimento à OSID sobre as demissões das médicas, mas não obteve resposta. Estamos, novamente, encaminhando a solicitação para a empresa e para a Secretaria de Saúde do Estado. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

Redação PNB

Post Author: Rogenilson Reis

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