A derrota da Argentina por 1 a 0 para a Espanha na final da Copa do Mundo de 2026, disputada no último domingo (19), no MetLife Stadium, deu origem a uma onda de especulações nas redes sociais. O principal combustível para as teorias foi um vídeo divulgado após a partida, que mostra Lionel Messi conversando rapidamente com os companheiros momentos antes de entrarem em campo.
As imagens começam quando os jogadores já deixam o vestiário. Em poucos segundos, o capitão argentino pede tranquilidade ao grupo e faz um apelo para que o elenco mantenha o foco apenas na decisão.
“Esqueçamos tudo. Vamos apenas jogar. Pensemos apenas em jogar, gente”, diz Messi.
Durante o trecho, Enzo Fernández aparece com os olhos avermelhados e visivelmente emocionado, enquanto Emiliano Martínez, o Dibu, e os demais jogadores escutam o camisa 10 em silêncio. No entanto, o vídeo não permite concluir por que Enzo estava emocionado, nem afirmar que o goleiro permaneceu calado durante toda a preparação para a final.
Na sequência, Messi lidera a saída da equipe em direção ao gramado ao lado de Dibu Martínez e Cuti Romero. Ao perceber a presença da câmera da transmissão, o capitão se vira e continua caminhando de costas enquanto conversa com os companheiros.
O gesto rapidamente passou a ser interpretado por alguns internautas como uma tentativa de impedir que o restante da conversa fosse registrado. A gravação, porém, não traz áudio desse momento nem revela o conteúdo do diálogo, impossibilitando qualquer conclusão sobre o que estava sendo dito.
Depois do vice-campeonato, o vídeo passou a ser usado para sustentar diferentes teorias da conspiração. Uma das versões afirmava que a frase “esqueçamos tudo” seria uma referência a uma suposta ameaça recebida pela seleção argentina para impedir a conquista do bicampeonato mundial. Até o momento, nenhuma evidência foi apresentada para sustentar essa alegação, como documentos, gravações, testemunhos ou qualquer outro elemento verificável.
Outra hipótese levantada nas redes sugeria que Messi teria comunicado aos companheiros, ainda no vestiário, que aquela seria sua despedida da Copa do Mundo ou até mesmo da seleção argentina. A interpretação foi associada ao tom do discurso e à aparente emoção de Enzo Fernández. No entanto, também não há confirmação de que esse anúncio tenha ocorrido, e o próprio Messi não anunciou oficialmente qualquer decisão sobre seu futuro na equipe nacional.
As especulações também envolveram supostos acordos entre dirigentes do futebol internacional, críticas à arbitragem e rumores envolvendo o árbitro Slavko Vinčić. Nenhuma dessas versões foi acompanhada de provas que demonstrassem manipulação do resultado da final.
Lances da partida e escolhas do técnico Lionel Scaloni, como alterações na equipe, ausência de Lautaro Martínez em determinados momentos, a expulsão de Enzo Fernández e o desempenho abaixo do esperado da Argentina, também passaram a integrar a narrativa criada após a derrota. Embora essas decisões possam ser debatidas sob o aspecto esportivo, elas não comprovam qualquer interferência externa.
Imagens repercutiram
A atuação argentina contribuiu para ampliar os questionamentos. Depois de chegar à final com um dos ataques mais eficientes da competição, a equipe teve dificuldades para criar oportunidades diante da Espanha, que controlou grande parte da partida e limitou a influência de Messi no setor ofensivo.
Outro vídeo que ganhou repercussão mostra o camisa 10 desperdiçando algumas finalizações durante o aquecimento, com o gol vazio. O registro é autêntico, mas representa apenas parte da atividade realizada antes da decisão e não permite relacionar os erros a qualquer episódio ocorrido no vestiário.
As teorias ganharam força principalmente por meio da hashtag #AlgoPaso (“alguma coisa aconteceu”), que passou a reunir diferentes interpretações sobre o discurso de Messi, o comportamento dos jogadores, o aquecimento da equipe e rumores envolvendo a Associação do Futebol Argentino (AFA). Apesar da ampla circulação nas redes sociais, nenhuma das versões apresentadas foi acompanhada de elementos concretos capazes de comprovar ameaça aos atletas, combinação de resultado ou qualquer outro tipo de conspiração.
O treinador Lionel Scaloni foi questionado sobre a possível influência da arbitragem na decisão, mas descartou e focou no campo. “Não, perdemos porque eles foram melhores, pessoal. Temos que reconhecer isso, temos que reconhecer que eles jogaram melhor. Provavelmente chegamos com recursos limitados, essa é a realidade, mas às vezes é bom reconhecer isso, e acho que isso nos tornará melhores, sem dúvida”, afirmou o técnico argentino.




