Operação investiga grupo criminoso especializado em fraudes eletrônicas

A Polícia Civil de Goiás (PCBA), por meio da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), com Apoio Operacional da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), deflagrou nesta quinta-feira (23) a Operação Dark Wallet, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada na prática de fraudes eletrônicas por meio do chamado golpe da falsa plataforma de investimentos, além da lavagem de capitais decorrente dessas infrações. A investigação teve início após uma vítima procurar a DERCC relatando ter sido convencida a realizar sucessivos aportes financeiros em supostas plataformas de investimentos internacionais, atraída por promessas de elevada rentabilidade.

Durante meses, os criminosos simulavam lucros, efetuavam pequenos pagamentos para transmitir credibilidade ao esquema e induziam a vítima a realizar novos investimentos, ocasionando prejuízo superior a R$ 640 mil. No decorrer das investigações, a polícia identificou que os valores eram direcionados para empresas formalmente constituídas, utilizadas como contas de passagem para o recebimento e posterior pulverização dos recursos obtidos de forma ilícita.

A primeira fase da investigação resultou no cumprimento de mandados judiciais de busca e apreensão, prisões temporárias e quebra de sigilos bancários, medidas que possibilitaram o aprofundamento das apurações.

Com a análise do material apreendido e das movimentações financeiras, a DERCC constatou a existência de uma estrutura criminosa muito mais ampla do que inicialmente apurado, composta por diversos integrantes responsáveis por diferentes funções dentro da organização. As investigações revelaram intensa circulação de recursos financeiros entre empresas e pessoas físicas vinculadas ao grupo criminoso, com indícios de utilização de empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e sucessivas transferências destinadas à ocultação e dissimulação da origem ilícita dos valores.

Somente no período analisado, as movimentações financeiras identificadas ultrapassaram R`$ 188 milhões, distribuídas em dezenas de milhares de transações bancárias, evidenciando um sofisticado mecanismo de lavagem de dinheiro destinado a conferir aparência de licitude aos recursos provenientes das fraudes eletrônicas. Diante dos novos elementos probatórios produzidos, a Polícia Civil representou judicialmente por novas medidas cautelares, dentre elas prisões cautelares, mandados de busca e apreensão, sequestro de bens, afastamento de sigilos telemáticos e autorização para acesso aos dispositivos eletrônicos apreendidos, visando a aprofundar a identificação de todos os integrantes da organização criminosa, rastrear o patrimônio obtido ilicitamente e ampliar a responsabilização penal dos envolvidos.

As investigações prosseguem para identificar outras vítimas, possíveis colaboradores do esquema e o destino final dos valores movimentados pela organização criminosa.

A operação

O nome da operação (Dark Wallet) faz referência à utilização de estruturas financeiras ocultas para movimentação e dissimulação de recursos provenientes de crimes cibernéticos. A expressão remete ao emprego de contas bancárias, empresas de fachada e mecanismos de lavagem de capitais destinados a esconder a origem ilícita do dinheiro obtido por meio dos golpes de falsas plataformas de investimento.

Post Author: Rogenilson Reis

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