O Brasileirão terá 10 mudanças nas regras de arbitragem a partir da 23ª rodada, que será disputada neste sábado (15) e domingo (16). Dirigentes dos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro aprovaram as alterações em reunião com representantes da CBF, realizada nesta segunda-feira (10), no Rio de Janeiro.
As medidas foram propostas pela International Football Association Board (IFAB) antes do Mundial e têm como objetivo reduzir a perda de tempo e aumentar o período de bola em jogo. As mudanças também atingirão a Copa do Brasil, todas as divisões do Campeonato Brasileiro e o Feminino A1.
Regras buscam aumentar tempo de bola rolando
A CBF apresentou durante o encontro estudos sobre os impactos das alterações e o cronograma para a implementação nos torneios organizados pela entidade. A maioria das normas já havia sido adotada pela Fifa na última Copa do Mundo.
A entidade estabeleceu como uma das prioridades o aumento do tempo efetivo das partidas. Um relatório produzido com dados da OPTA Stats Perform apontou que, até a parada para a Copa do Mundo, o Brasileirão registrava média de 52 minutos e 54 segundos de bola rolando. A referência estabelecida pela Fifa é de 60 minutos.
Os presidentes dos clubes presentes concordaram com a implementação. Segundo apuração do Estadão, porém, alguns dirigentes consideraram prematuro aplicar as mudanças neste momento. A maioria decidiu pela adoção das novas normas. Entre as alterações está a chamada Lei Vini Jr., que prevê cartão vermelho para o jogador que cobrir intencionalmente a boca durante uma discussão com um adversário.
Goleiros terão limite para permanecer com a bola
A primeira mudança estabelece que o goleiro terá oito segundos para permanecer com a bola nas mãos. Caso ultrapasse o período permitido, a equipe adversária receberá um escanteio. A medida altera o procedimento para situações em que o goleiro segura a bola durante a partida e busca impedir que a equipe utilize esse recurso para retardar o reinício do jogo.
Outra mudança relacionada à reposição determina um limite de cinco segundos para a cobrança do arremesso lateral. A contagem começa no momento em que o jogador estiver com a bola nas mãos. O tiro de meta também passa a ter limite de cinco segundos. Nesse caso, o árbitro dará o sinal para o reinício e iniciará a contagem. Se o goleiro ultrapassar o período, o adversário terá direito à cobrança de escanteio.
Substituições e atendimentos terão novos procedimentos
As substituições também passam a seguir um tempo determinado. O jogador que for substituído terá dez segundos para deixar o campo e deverá sair pelo ponto mais próximo, sem caminhar pelo gramado para alcançar outra área. O protocolo para atendimento médico também será alterado. Quando um jogador receber atendimento dentro do campo, ele precisará deixar a partida e permanecer fora durante um minuto antes de retornar.
A regra terá uma aplicação específica quando o atendimento for destinado ao goleiro. Nesse caso, um jogador de linha deverá cumprir o período de um minuto fora do campo. A escolha ficará a cargo do treinador ou do capitão da equipe.
Capitão será único interlocutor com o árbitro
A comunicação entre jogadores e arbitragem também terá uma nova regra. Apenas o capitão de cada equipe poderá falar com o árbitro durante a partida, estabelecendo um único interlocutor por time. A alteração busca concentrar a comunicação e impedir que vários jogadores se aproximem simultaneamente da arbitragem para contestar decisões.
A chamada Lei Vini Jr. completa o conjunto de oito mudanças diretamente relacionadas aos procedimentos durante a partida. Pela nova regra, o jogador que tapar intencionalmente a boca enquanto discute com um adversário poderá receber cartão vermelho.
VAR terá atuação ampliada em decisões da arbitragem
O protocolo do VAR também será modificado. Antes das alterações, o árbitro de vídeo podia interferir em quatro situações específicas, envolvendo gol, pênalti, cartão vermelho direto e erro de identificação de jogador. O novo protocolo amplia esse alcance e permite a checagem de uma decisão relacionada ao segundo cartão amarelo. O VAR poderá revisar a aplicação da advertência quando ela resultar em expulsão.
Outra alteração envolve a possibilidade de revisão de escanteio concedido por engano. A regra foi aprovada para 2027 e permitirá a checagem quando o erro levar diretamente a um gol ou a um pênalti.
O árbitro de vídeo também poderá comunicar ao árbitro de campo determinadas decisões sem que seja necessário solicitar uma revisão no monitor. A possibilidade será utilizada em lances considerados objetivos, nos quais a análise direta das imagens pelo árbitro principal não seria necessária.




