O deputado federal Bacelar (PV) aposta na influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e na estrutura política da base governista para garantir a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) na Bahia. Em entrevista à Tribuna, o parlamentar minimizou as pesquisas que colocam ACM Neto (União Brasil) à frente na disputa e afirmou acreditar que o cenário deve mudar com o início efetivo da campanha eleitoral. Integrante da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, Bacelar destacou o número de prefeitos, deputados e senadores ligados ao grupo como um dos principais ativos da candidatura governista. Segundo ele, a entrada dessas lideranças na campanha durante o período eleitoral deverá ampliar a mobilização em favor de Jerônimo. Na entrevista, o deputado também descartou a possibilidade de uma parcela significativa do eleitorado optar pelo chamado voto “Lula-Neto”. Para Bacelar, a eleição presidencial estará diretamente relacionada à disputa pelo governo estadual, e o apoio do presidente terá peso na decisão dos baianos.Bacelar – Todas as nossas condições são bastante favoráveis. Primeiro, o nosso candidato à Presidência da República, um candidato que tem um peso muito forte na Bahia, é um candidato que tem serviços prestados em todo o estado da Bahia, que tem uma identidade com nossa população e que tem um volume de obras no estado nunca antes visto. O segundo fator são os nossos governos. Os governos que o PT tem na Bahia têm, cada um, avançado mais do que o outro. Se nós observarmos Salvador, você não tem uma obra estruturante de Salvador que não seja do governo do Estado. Nós estamos entregando agora o VLT, entregamos a nova rodoviária, as avenidas da cidade, a mobilidade urbana. Se não fosse o governo do Estado, hoje Salvador seria um caos urbano. Hospitais, as escolas em tempo integral, o turismo liderando o crescimento em todo o Brasil, a atração da fábrica da BYD, as obras do PAC no estado, seja na área de habitação, seja na área de infraestrutura. Então, tudo isso nos fortalece. Terceiro ponto: a nossa estrutura política no estado. Nós temos dois senadores, temos a maior bancada de deputados estaduais, temos a maior bancada de deputados federais e 380 prefeitos. Esse time ainda não entrou em campo, porque é um time que está cuidando da administração. Esse time vai entrar em campo agora, nos 45 dias do período eleitoral. Que prefeito na Bahia já foi em alguma casa pedir voto? Nenhum. Em Salvador, a gente tem crescido. Salvador tem agora que não fazemos tudo há mais de 12 anos, há cerca de 14 anos, não fazemos a política que eu digo, majoritária, forte. Agora, temos uma atenção especial em Salvador. Todo esse conjunto me leva a ter a convicção de que vamos vencer a eleição. Talvez seja a eleição que vençamos com uma maior margem de votos, que com certeza venceremos com uma maior quantidade de votos do que foi em 2022.
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Tribuna – O presidente Lula vai ter alguma influência na eleição aqui na Bahia em termos de votos para Jerônimo?
Bacelar – Grande influência. Essa é a última oportunidade de os brasileiros votarem no maior presidente desse país. Esse que é hoje um nome internacional, um estadista. E pela última vez será candidato a presidente. Então, esse apelo que ele tem feito aos baianos, de que ele precisa da Bahia ao lado dele e de que ele precisa que o governador da Bahia seja um aliado dele, lógico que isso nos fortalece. Na Bahia, sempre o presidente puxa o governador e o governador puxa os senadores. É uma tradição na política da Bahia e, com certeza, o presidente Lula, que tem aqui mais de 65% de aprovação, terá uma influência grande. Porque a eleição de governador não pode ser uma eleição dissociada de uma eleição de presidente da República. Um candidato a governador que não tem nada a ver com a política nacional só pode pensar que a Bahia é uma ilha. Nós temos que olhar para a política nacional. A pesquisa é o retrato do momento. Nesse momento, nós não estamos em campanha. O time vai se preparar para entrar em campo agora. Agora, é natural que haja essa pequena vantagem que estava havendo, que já desaparece, para um candidato que disputou todas as eleições e está disputando todas as eleições na Bahia desde 2008.
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Tribuna – Existe uma margem grande de eleitores que podem votar em Lula para presidente e ACM Neto para governador?
Bacelar – De maneira nenhuma. A oposição tem tentado iludir o eleitor com essa possibilidade. Volto a lembrar do posicionamento do presidente Lula na nossa convenção. O voto é casado, é incompatível votar em Lula e votar em um candidato a governador bolsonarista.
Tribuna – O PV está dentro da federação. Na Bahia, essa aliança parece consolidada em torno de Lula e Jerônimo. Agora, depois da eleição, o senhor acredita que essa federação continuará unida entre Jerônimo e Lula?
Bacelar – Olha, a federação é um desenho institucional que veio para ficar e, dados esses resultados, no geral e particularmente na nossa identidade de propósitos, a nossa facilidade com as ideias, tanto do PT quanto do PCdoB, o nosso alinhamento, a nossa atuação na Câmara dos Deputados, que é uma atuação integrada, PT, PCdoB e PV, votamos tudo juntos, discutimos as pautas juntos, construímos as ações juntos. Então, os laços que unem os partidos que integram essa federação são laços ideológicos, laços programáticos e que cada vez mais se fortalecem.
Tribuna – O Congresso retomou os trabalhos recentemente e tem diversos projetos, como a PEC da escala 6×1. Com a proximidade da eleição, ainda existe espaço para discutir esses projetos ou deve ficar para o ano que vem, depois da eleição?
Bacelar – Olha, deveria ser votado, porque discutimos bastante e já foi esgotada a discussão. Seminários, audiências públicas, debates em plenário, debates da comissão. O país tem o fim da escala 6×1. É um avanço civilizatório para o Brasil, resultados positivos na área econômica, com resultados positivos para o bem-estar do trabalho, com o aumento da produtividade, como tem sido mostrado onde essa experiência do fim da escala 6×1 tem sido implantada. É uma escala escravizante e que já deveria ter sido votada. É o que eu defendo, é o que a nossa federação defende. Agora, conhecemos um conservadorismo que predomina no Congresso Nacional, com ideias retrógradas que ainda, em determinados segmentos, são majoritárias. Acho muito difícil votarmos este ano o fim da escala 6×1, como também a necessária reformulação da segurança pública. O projeto de lei da segurança pública, pela questão da violência no Brasil, é prioritário. Infelizmente, colocaram uma pedra no Senado Federal em cima disso.
Tribuna – O Congresso aprovou uma proposta que permite reduzir e zerar tributos sobre combustíveis diante da alta internacional. O senhor considera que essa medida emergencial é suficiente para proteger o consumidor ou o governo deveria discutir uma política mais estrutural para os preços?
Bacelar – Nós, diferentemente da irresponsabilidade do governo anterior, que, numa medida demagógica, retirou os impostos e jogou a bomba no colo dos estados, temos tido medidas sérias, temos enfrentado a questão. Agora, essa é uma commodity que está subordinada às influências internacionais. Vem a guerra dos Estados Unidos contra o Irã, o preço do barril, que é atrelado à bolsa, são insumos que não dependem do governo brasileiro, dependem da economia mundial. O que nós precisaríamos ter feito é que o Brasil precisaria ter refinarias, porque nós somos produtores de petróleo. E o que aconteceu? A irresponsabilidade do governo Bolsonaro, que vendeu as refinarias, inclusive a nossa, em vez de dar continuidade ao que o presidente tinha pensado antes e que a presidente Dilma Rousseff tentou colocar em prática, que era a gente construir as refinarias no Brasil.
Tribuna – Qual o balanço que o senhor faz desse seu último mandato e quais são as suas expectativas para a sua reeleição?
Bacelar – Tive um mandato dedicado a apoiar o presidente Lula, apoiar as ações do presidente Lula, tendo um olhar muito especial para as questões importantes da Bahia e um compromisso de dar continuidade ao compromisso com a educação, de dar continuidade a projetos e propostas na área ambiental, na área da diversidade, na área da cultura. A minha avaliação é que foi um mandato bastante produtivo e a minha expectativa é que, se tiver novamente a confiança do povo da Bahia e for reeleito, mais do que nunca, estar ao lado do presidente Lula na implantação das grandes transformações que tentamos implantar nesse período legislativo, mas que, pelo conservadorismo do Congresso Nacional, temos elegido o presidente da República e não temos levado uma bancada parlamentar que dê sustentação ao presidente. Nós, deputados da base de Lula, somos apenas 110 deputados. Então, eu espero que essa lição que ficou para o Brasil, que o brasileiro vote nos candidatos do presidente Lula para o Parlamento, para que a gente possa facilitar esse novo período da administração de Lula.
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Tribuna – Quais são as suas expectativas para a eleição desse Congresso? O senhor acha que vai ser um Congresso igualmente conservador?
Bacelar – Acredito que a tendência é de um Congresso conservador. Não nessa desproporção do atual, porque o presidente Lula e nossos candidatos majoritários no Brasil têm chamado a atenção de que o país precisa priorizar também a eleição para o Legislativo, a eleição do Parlamento. Então, com isso, mais do que nunca, acho que sairá um voto casado de Lula com a nossa bancada. O que reforça a minha tese de que, na Bahia, o voto de Lula é com Jerônimo.





