Morre em Juazeiro a professora e escritora Izabel Marques de Souza, aos 86 anos

Morreu nesta terça-feira, 25 de agosto de 2026, aos 86 anos, a professora Izabel Marques de Souza. Nascida em 3 de julho de 1940, era bacharela em Direito, professora de História, historiadora e escritora. Passou a maior parte da vida em sala de aula, nas duas margens do São Francisco.

Em Juazeiro, ensinou no Colégio Estadual Rui Barbosa, no Colégio Estadual Lomanto Júnior, no Colégio Dr. Edson Ribeiro e no Colégio Anglo. No ensino superior, foi professora da Faculdade de Formação de Professores, em Petrolina, instituição que deu origem ao atual campus da Universidade de Pernambuco na cidade. Antes disso, atuou como secretária acadêmica da Famesf, em Juazeiro, faculdade que hoje integra a Universidade do Estado da Bahia.

Como historiadora, dedicou-se a documentar os grupos de penitentes de Juazeiro, tema do livro Penitentes: uma chama de fé. A tradição chegou ao Médio São Francisco pelas mãos de missionários capuchinhos e carmelitas e se firmou na cidade por volta de 1901, passando de pais para filhos dentro das mesmas famílias. Dos cinco cordões que já existiram, restaram dois.

As alimentadeiras das almas saem à noite nas segundas, quartas e sextas-feiras da Quaresma, de túnica branca e rosto coberto, guiadas pelo som da matraca e por uma cruz de cedro. Rezam e cantam em sete cruzeiros espalhados pela cidade e encerram o percurso no cemitério, encomendando as almas dos mortos, quase sempre já de madrugada. Os disciplinadores formam o grupo menor e mais reservado, conhecido como o cordão dos que se cortam: ferem as próprias costas com chicotes e estiletes presos a cordas, em memória da Paixão, na casa do guia ou nos cemitérios, longe de olhares. Em ambos os cordões o compromisso é assumido por ciclos de sete anos.

Foi esse universo que Izabel Marques acompanhou e registrou. A prática dos penitentes de Juazeiro chegou a ser objeto de proposta de reconhecimento como patrimônio cultural da Bahia e do Brasil e hoje convive com o envelhecimento dos seus integrantes e a falta de gente nova disposta a assumir o compromisso.

Boa parte dos professores, advogados e servidores que hoje trabalham em Juazeiro e Petrolina passou pelas suas aulas. Em casa, era quem contava as histórias.

O velório acontece nesta quarta-feira, 26 de agosto, das 6h às 17h, no Centro de Velório de Juazeiro, o Espaço Zelo, na Avenida Raul Alves. Ao fim da tarde o cortejo segue para o Cemitério Central de Juazeiro, onde será realizado o sepultamento. A família agradece as manifestações de carinho e solidariedade.

Post Author: Rogenilson Reis

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