Ossadas encontradas em área rural são identificadas como de primas de 18 anos desaparecidas em abril, diz polícia

Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida foram identificadas por meio dos arcos dentais; polícia encontrou indícios de morte violenta e ainda aguarda exames para determinar a dinâmica do crime

Ossadas encontradas em área rural são identificadas como das primas  Letycia e Stella, desaparecidas em abril Crédito: Reprodução

As ossadas encontradas enterradas em uma área rural próxima a Paraíso do Norte, no Noroeste do Paraná, são das primas Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida, ambas de 18 anos. A identificação foi confirmada nesta quinta-feira (27) pelo delegado Luís Fernando Alves, da Polícia Civil do Paraná (PC-PR). As duas jovens estavam desaparecidas desde 21 de abril. As informações são do g1.

Segundo a investigação, a polícia acredita que elas tenham sido assassinadas por Clayton Antonio da Silva Cruz, 39, depois de deixarem uma 

boate em Paranavaí, também no Noroeste do estado. Letycia conhecia Clayton de festas anteriores e, de acordo com a investigação, aceitou sair novamente com ele. As duas estavam acompanhadas do homem na noite em que desapareceram.

Letycia e Sttela desapareceram após sairem em carro desconhecido por Reprodução

As ossadas foram encontradas na sexta-feira (21), em uma área rural de Paraíso do Norte. No mesmo dia, Clayton foi morto durante uma abordagem policial em Mandaguari. Um segundo suspeito de envolvimento no caso, identificado pela polícia apenas como “Magrão”, foi preso. Segundo a Polícia Civil, foi Magrão quem indicou aos investigadores o local onde os restos mortais das jovens deveriam ser procurados.

Identificação foi feita pelos dentes

A Polícia Civil informou que a identificação das ossadas foi realizada por meio dos arcos dentais. A análise também encontrou indícios de morte violenta. Apesar da identificação, os exames ainda não determinaram de forma definitiva como as jovens morreram. “A determinação da causa, mecanismo e dinâmica das mortes depende dos exames médico-legais complementares”, informou a Polícia Civil. Os corpos serão liberados para as famílias somente depois da conclusão de todos os exames periciais.

Primas foram vistas com suspeito antes do desaparecimento

A investigação conseguiu reconstruir parte dos últimos momentos conhecidos das jovens. Na noite de 20 de abril, às 22h39, Letycia e Sttela foram vistas saindo de Cianorte em uma caminhonete com Clayton, que Letycia conhecia pelo nome de “Davi”. Segundo depoimento de uma amiga das primas, Clayton havia chamado as jovens para uma festa em Porto Rico. A amiga decidiu não acompanhá-las, mas Letycia e Sttela aceitaram o convite. A polícia apurou que os três partiram da casa de Letycia.

Esse também foi o último momento em que Letycia se conectou à internet. Segundo a corporação, ela não tinha pacote de dados móveis. Às 22h54, a mesma caminhonete foi registrada por câmeras de segurança entrando em Jussara, onde Sttela morava com a mãe. A jovem entrou na casa para pegar uma mochila. A mãe não estava no imóvel.

Um minuto depois, às 22h55, Sttela publicou uma foto nas redes sociais e marcou Letycia. Na imagem, ela aparece com uma garrafa de uísque dentro da caminhonete, enquanto uma música tocava no veículo. A legenda era: “Qual será o nosso destino KKKK”. Às 23h13, o trio deixou Jussara em direção a Maringá, pela PR-323. Já à 0h16 do dia 21 de abril, Sttela fez uma segunda e última 

publicação

 nas redes sociais, em um trevo entre Presidente Castelo Branco e Nova Esperança. Clayton aparece na imagem, mas somente Letycia teve o perfil marcado na postagem.

Últimos registros antes do desaparecimento

Às 1h10, câmeras registraram Letycia, Sttela e Clayton entrando em uma boate em Paranavaí. Dentro do estabelecimento, as primas foram filmadas andando de mãos dadas. Depois, Clayton também aparece nas imagens junto delas. A última conexão de Sttela à internet ocorreu às 3h17. A informação foi obtida pela polícia por meio de um pedido emergencial de quebra de sigilo do WhatsApp.

Depois disso, os registros indicam que Clayton voltou sozinho para Cianorte entre os dias 22 e 23 de abril. Segundo a investigação, ele estava sem a caminhonete e saiu novamente da cidade utilizando uma moto e sem celular. Às 9h de 23 de abril, ocorreu a última conexão de Clayton à internet. No dia 24 de abril, a polícia descobriu que havia um registro indicando que o homem havia passado por Maringá.

Em 29 de abril, foi expedido um mandado de prisão contra Clayton pelos crimes de roubo e homicídio. Desde então, ele era considerado foragido. Em 15 de maio, uma mulher apontada como ex-namorada de Clayton foi presa em uma operação da Polícia Civil. Ela é suspeita de ter dado apoio financeiro e logístico ao homem durante o período relacionado ao desaparecimento das jovens.

Em 15 de junho, a polícia realizou buscas por pistas em uma área rural de Paraíso do Norte. A investigação chegou a uma nova etapa em 21 de agosto, quando Clayton foi morto durante uma abordagem policial em Mandaguari. No mesmo dia, outro suspeito foi preso em Umuarama e as ossadas foram encontradas.

Agora, com a identificação dos restos mortais, a investigação ainda precisa esclarecer como as primas foram assassinadas e a participação de cada um dos suspeitos no crime. A causa, o mecanismo e a dinâmica das mortes dependem dos exames médico-legais que ainda serão concluídos.

Post Author: Rogenilson Reis

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