João Roma cresce, encosta em Wagner e reforça avanço da chapa de ACM Neto ao Senado

Nova Real Time Big Data coloca Roma em empate técnico com Jaques Wagner e mantém Ângelo Coronel no bloco que disputa a segunda vaga; cenário fortalece tese já apontada pelo Bahia sem Fronteiras sobre o peso da candidatura ao governo na eleição dos senadores

A nova pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta quarta-feira (9), acrescenta um dado importante à disputa pelas duas vagas da Bahia no Senado: João Roma (PL) avançou e já aparece tecnicamente empatado com Jaques Wagner (PT), enquanto Ângelo Coronel (Republicanos), seu companheiro na chapa apoiada por ACM Neto, permanece competitivo.

No cenário consolidado dos dois votos, reduzidos a 100%, Rui Costa (PT) lidera com 26%. Jaques Wagner aparece com 19%, João Roma chega a 17% e Ângelo Coronel registra 15%. Com margem de erro de dois pontos percentuais, Wagner e Roma estão tecnicamente empatados, e Coronel também integra o bloco que disputa a segunda vaga. 

O movimento ganha maior relevância quando comparado ao levantamento anterior do próprio Real Time Big Data. Roma passou de 15% para 17%, enquanto Wagner oscilou de 20% para 19%. Rui Costa foi de 25% para 26%, e Coronel permaneceu com 15%. Ou seja: entre os principais concorrentes, foi justamente João Roma quem apresentou o avanço numérico mais expressivo. 

Roma já aparece à frente de Wagner no primeiro voto

Outro recorte da pesquisa chama atenção. Quando o eleitor é perguntado especificamente sobre o primeiro voto para senador, Rui Costa lidera com 39%, mas João Roma aparece na sequência, com 19%, numericamente à frente de Jaques Wagner, que registra 18%. Ângelo Coronel tem 13%.

No segundo voto, Wagner marca 20%, Coronel 16%, enquanto Rui Costa e Roma aparecem com 14% cada. 

Os números sugerem que a corrida pelas duas cadeiras está longe de definida. Se Rui Costa mantém uma vantagem mais confortável, a disputa seguinte tornou-se um confronto aberto entre Wagner, Roma e Coronel, justamente no momento em que a campanha entra em sua fase decisiva.

O “efeito chapa” começa a entrar no radar

O cenário dialoga diretamente com análise publicada pelo Bahia sem Fronteiras em 23 de agosto, sob o título “Efeito chapa pode embaralhar disputa pelo Senado na Bahia e abrir espaço para Roma e Coronel”. Na ocasião, o BSF chamou atenção para uma variável que poderia ganhar força com a aproximação da eleição: a associação do voto para senador à escolha do governador.

Leia a análise publicada pelo Bahia sem Fronteiras⁠

A avaliação partia do histórico político baiano e da força que uma chapa majoritária competitiva pode exercer sobre seus candidatos ao Senado. A nova pesquisa não permite afirmar que esse efeito determinará o resultado — pesquisas são retratos do momento —, mas o crescimento de Roma oferece um primeiro sinal compatível com aquela leitura

Há ainda um elemento fundamental: ACM Neto permanece plenamente competitivo na eleição estadual. Na própria Real Time Big Data desta quarta-feira, Jerônimo Rodrigues aparece com 45% e Neto com 44% no primeiro turno, diferença dentro da margem de erro. Em eventual segundo turno, são 46% para Jerônimo e 45% para Neto, novamente empate técnico. 

Outros levantamentos recentes também vêm mostrando uma eleição apertada. A AtlasIntel/A TARDE, divulgada no último dia 3, registrou, por exemplo, 49,2% para ACM Neto e 48,6% para Jerônimo numa simulação de segundo turno, igualmente caracterizando empate técnico. 

É exatamente essa competitividade na cabeça da chapa que pode ganhar importância para Roma e Coronel.

Uma eleição que pode caminhar em bloco

A eleição para o Senado possui uma particularidade em 2026: cada eleitor pode escolher dois candidatos. Isso amplia a importância da estratégia de chapa, especialmente na reta final, quando campanhas passam a trabalhar de maneira mais intensa a chamada “casadinha” do voto majoritário.

Nesse ambiente, João Roma reúne dois fatores favoráveis: apresenta crescimento próprio e, ao mesmo tempo, integra uma chapa liderada por um candidato ao governo que segue disputando voto a voto a liderança estadual.

Ângelo Coronel também não pode ser retirado dessa equação. Com 15% no consolidado e 16% entre as escolhas para o segundo voto, o senador permanece próximo dos principais concorrentes. 

Assim, aquilo que semanas atrás poderia parecer uma disputa com vantagem confortável para os dois ex-governadores petistas começa a apresentar uma configuração diferente. Rui Costa continua na dianteira, mas a segunda cadeira está efetivamente aberta.

E é justamente nela que João Roma chega à reta decisiva demonstrando força crescente.

A pesquisa Real Time Big Data ouviu 1.600 eleitores entre os dias 4 e 8 de setembro, por telefone e internet. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BA-01568/2026

Se a tendência observada agora continuar e o voto para o Senado se aproximar ainda mais da lógica das chapas majoritárias, João Roma entra definitivamente na briga por uma das duas vagas — e uma eventual vitória de ACM Neto poderá ampliar também as possibilidades de Roma e Coronel.

Ainda há campanha pela frente e não existe transferência automática de votos. Mas os números desta quarta-feira mostram que a tese levantada anteriormente pelo Bahia sem Fronteiras ganhou um dado concreto para ser observado: Roma cresceu, alcançou Wagner dentro da margem de erro e transformou a disputa pela segunda vaga no Senado em uma das batalhas mais abertas desta eleição na Bahia.

Post Author: Rogenilson Reis

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