Uma ligação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, ocorreu no mesmo dia da última remessa identificada pela Polícia Federal (PF) para um fundo nos Estados Unidos usado no financiamento do filme “Dark Horse”.
O contato, em 16 de setembro de 2025, integra os elementos analisados na investigação que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas à produção.
Segundo a PF, Flávio e Vorcaro mantiveram contatos frequentes sobre os aportes para o longa-metragem. Ao todo, os investigadores identificaram US$ 12,33 milhões enviados pela Entre Investimentos ao Havengate Development Fund durante 2025.
Ligação ocorreu no dia da última remessa
A investigação aponta que Flávio telefonou para Vorcaro em 16 de setembro. No mesmo dia, foi identificada a última transferência da Entre Investimentos para o Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos utilizado no financiamento de “Dark Horse”.
A PF considera a coincidência temporal um elemento relevante para a investigação. Os investigadores, porém, ressaltam que a proximidade entre a ligação e a transferência, isoladamente, não demonstra que a conversa tenha provocado o envio do dinheiro.
O acordo de financiamento localizado nas comunicações de Vorcaro previa investimento total de US$ 24 milhões. Os valores das parcelas previstas no documento eram semelhantes aos identificados nas remessas internacionais.
Senador cobrava pagamentos do filme
Os contatos entre Flávio e Vorcaro não se limitaram à discussão inicial sobre o financiamento.
Em 8 de setembro de 2025, o senador enviou um áudio ao banqueiro cobrando pagamentos para o filme. Flávio demonstrou preocupação com o risco de a produção ficar inadimplente com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.
Vorcaro pediu desculpas e afirmou que tentaria resolver a situação.
Uma semana depois, Thiago Miranda Silva informou ao banqueiro que Flávio queria encontrá-lo pessoalmente para mostrar o que estava sendo gravado.
Em outubro, o senador voltou a cobrar os aportes e afirmou que a produção estava “no limite”. Flávio disse que, caso Vorcaro não conseguisse fazer o pagamento, precisaria avisá-lo para que fosse encontrada outra saída com urgência.
Mensagens mostram contato direto
A PF aponta que a comunicação entre Flávio e Vorcaro passou a ocorrer diretamente a partir de agosto de 2025.
Em 20 de agosto, mensagens indicaram um provável encontro presencial. Vorcaro informou o horário e Flávio respondeu que estava “a caminho”.
Os investigadores também destacaram contatos anteriores. Em dezembro de 2024, Thiago Miranda Silva procurou Vorcaro para marcar uma reunião com Flávio e informou que um dos assuntos seria o “filme do presidente”. O encontro foi agendado para 11 de dezembro.
Mário Frias (PL-SP), apontado como idealizador do projeto, também participaria da reunião. Em janeiro de 2025, começaram a aparecer cobranças relacionadas ao primeiro aporte.
PF investiga destino dos recursos
A investigação busca esclarecer se empresas e um fundo no exterior foram utilizados para ocultar ou dissimular a origem, a movimentação ou o destino dos valores destinados ao filme.
A PF também apura se houve remessas internacionais com declaração falsa, uso de intermediários, falta de identificação adequada dos beneficiários finais ou finalidade econômica diferente da declarada.
No caso da suspeita de corrupção, os investigadores querem saber se os aportes foram solicitados, oferecidos, prometidos ou recebidos em razão de função pública ou como forma de vantagem indevida.
Flávio admite que procurou Vorcaro para obter recursos para “Dark Horse”, mas nega irregularidades. O senador afirma que buscava financiamento privado para uma produção privada sobre seu pai, que não houve dinheiro público e que não ofereceu vantagens ao banqueiro em troca dos aportes.






