Primavera aumenta atenção para doenças respiratórias

Mudanças de temperatura, tempo seco, poeira e maior presença de partículas no ar podem agravar quadros de asma, rinite e outras condições respiratórias

A chegada da primavera, em 22 de setembro, traz mudanças que vão além do aumento das temperaturas. A combinação entre dias mais quentes, períodos de baixa umidade, variações térmicas e maior presença de poeira, pólen e outros agentes no ar pode ser especialmente incômoda para quem já convive com doenças respiratórias.

Segundo a Dra. Alessandra Schneider, médica pneumologista e professora do IDOMED (Instituto de Educação Médica), pessoas com asma, rinite e outros problemas respiratórios podem perceber uma piora dos sintomas nessa época do ano.

“Na primavera, alguns fatores ambientais podem irritar as vias respiratórias e favorecer o aparecimento ou a intensificação de sintomas. Tosse, espirros, congestão nasal, chiado no peito e falta de ar merecem atenção, principalmente entre pessoas que já têm histórico de doenças respiratórias”, explica.

O tempo seco é um dos fatores que contribuem para esse cenário. Com menos umidade no ar, as mucosas do nariz e da garganta tendem a ficar mais ressecadas e suscetíveis à irritação. Poeira, poluição e fumaça de queimadas também podem agravar o desconforto. Já o aumento da circulação de pólen é um problema especialmente para pessoas com predisposição a alergias.

Apesar da associação entre a mudança de estação e o surgimento de sintomas, Alessandra ressalta que a primavera não causa gripe ou resfriado. Essas doenças são provocadas por vírus. O que pode acontecer é uma confusão entre os sinais de uma alergia respiratória e os de uma infecção.

“Espirros frequentes, coceira no nariz e nos olhos e coriza mais clara costumam estar associados a quadros alérgicos. Nas infecções virais, podem aparecer também febre, dores no corpo e mal-estar. Quando os sintomas persistem ou se intensificam, é importante procurar avaliação médica”, orienta.

Alguns cuidados dentro de casa ajudam a diminuir a exposição aos agentes que desencadeiam crises. A recomendação é manter os ambientes ventilados, evitar o acúmulo de poeira e, na hora da limpeza, substituir a vassoura pelo pano úmido

sempre que possível. Roupas de cama devem ser lavadas regularmente e objetos que acumulam poeira, como tapetes, cortinas pesadas e bichos de pelúcia, exigem atenção especial em casas onde há pessoas alérgicas.

Manter uma boa ingestão de água também é importante, principalmente nos dias mais secos. A higiene nasal com soro fisiológico pode auxiliar na limpeza e hidratação da mucosa, especialmente depois da exposição à poeira ou a ambientes muito secos.

Para quem já tem diagnóstico de asma ou outra doença respiratória crônica, a orientação é manter o acompanhamento e seguir corretamente o tratamento indicado pelo médico, mesmo nos períodos em que os sintomas estão controlados.

“Um dos pontos mais importantes é não esperar a crise aparecer para voltar a cuidar da doença. O tratamento adequado ajuda a manter as condições respiratórias sob controle. Dificuldade para respirar, chiado intenso, sensação de aperto no peito ou piora importante dos sintomas precisam de avaliação médica”, reforça a professora do IDOMED.

Evitar fumaça de cigarro e queimadas, cuidar da higiene das mãos e manter a vacinação recomendada em dia completam as medidas que ajudam a proteger a saúde respiratória durante a estação.

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