No Baixo Império, quando as legiões aclamavam um novo imperador, o rei era levado nos ombros dos soldados. Era um gesto para legitimá-lo antes mesmo da aprovação do Senado. Na Roma Antiga, o ato de carregar generais ou líderes vitoriosos era o triunfo, mas quem os carregavam eram soldados submetidos a todo tipo de humilhação.
Por isso, quando vi, há pouco, o vídeo de Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina, carregando a governadora Raquel Lyra (PSD) nos ombros, num ato político na cidade que ele governou com tamanha competência e se projetou para o Estado, não acreditei. Pensei ser um servo, vassalo.
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Mas não. Era o melhor prefeito de Petrolina submetido a tamanho vexame! Um político que rompeu as fronteiras do Sertão e ganhou admiração e respeito em território urbano, além dos grotões.
Por isso, deu aquele estalo: estamos diante da cena mais patética de toda esta campanha em Pernambuco. Em regiões com histórico de desigualdade socioeconômica, como o Nordeste, a relação entre eleitor e político muitas vezes é pautada pelo clientelismo. O ato físico de carregar um político nos ombros choca, agride.
Nos remete a mais elevada sensação de humilhante e deslavada submissão. Deu náuseas. Miguel não precisava disso. Carregar nos ombros alguém que lhe negou pão e água, até o mínimo respeito, que o traiu, o usou como descartável, não é só humilhante. É repugnante!







