Quem achou que política se faz de cima para baixo descobriu que voto não aceita ordem de serviço. Campanha sem diálogo vira barulho, grupo sem organização vira ajuntamento e coordenação que prefere dividir em vez de agregar termina encontrando a resposta na urna.
O resultado de ACM Neto em Juazeiro precisa provocar reflexão. Quando falta conversa, sobra ruído. Quando falta união, sobra divisão. E quando alguns tentam fechar portas, a urna abre janelas.
E os sinais não apareceram apenas na votação para governador.
Elmar Nascimento chegou a 5.716 votos. Capitão Alden alcançou 3.628 votos. Rafael Campelo somou 3.329 votos e tentos outros deputados que foram votados em nossa cidade.
Três votações que ajudam a desmontar uma velha ideia: a de que a oposição de Juazeiro tem dono.
Justamente nomes que enfrentaram dificuldades de espaço e diálogo com a coordenação local conseguiram construir votação própria e encontrar respaldo diretamente nas ruas.
Tentaram colocar cerca. O eleitor pulou.
Tentaram escolher quem podia sentar à mesa. A urna aumentou a mesa.
Tentaram concentrar a oposição em poucas mãos. O voto espalhou as cartas.
E há uma ironia que a política costuma reservar: quem tenta diminuir lideranças pode acabar ajudando a revelar o tamanho delas.
Elmar mostrou força. Capitão Alden mostrou força. Rafael Campelo mostrou força.
A mensagem que fica é simples. Coordenação deveria coordenar, não controlar. Deveria agregar, não selecionar. Deveria abrir caminhos, não fechar portas.
Porque voto não se enquadra, eleitor não recebe ordem e oposição não vem com escritura registrada em cartório.
A oposição não tem dono. Juazeiro não tem dono.
Enquanto alguns estavam preocupados em decidir quem podia crescer, as urnas mostraram que o eleitor também sabe plantar novas sementes.
E talvez seja exatamente isso que esteja começando agora.
Um novo tempo político em Juazeiro, com mais vozes, mais lideranças e menos donos.
Enos Machado, Advogado e coordenador de Elmar em Juazeiro.







