Poucos políticos do Vale do São Francisco tiveram a força tantas vezes posta em dúvida quanto Zó do Sertão. A cada eleição, vozes dos porões da política anunciavam que, daquela vez, a derrota viria. Que os adversários tinham mais dinheiro, mais estrutura, mais padrinhos. Foi assim nas três eleições para vereador em Juazeiro e, depois, nas disputas pela Assembleia Legislativa, onde agora chega ao quarto mandato consecutivo sem ter conhecido uma derrota nas urnas.
Em 2026, numa eleição marcada por campanhas de alto custo e por uma disputa particularmente dura, Zó ampliou sua votação em quase 10 mil votos em relação a 2022. Passou de 50.893 para 60.413 votos. Entre os deputados de mandato com base política no Sertão do São Francisco, foi quem mais ampliou sua votação em números absolutos.
Não é pouca coisa. E talvez o número diga menos sobre uma essa eleição específica do que sobre sua trajetória.
A história política de Zó começa muito antes dos mandatos. Vem do movimento estudantil, das ruas, da militância e da disposição de enfrentar estruturas de poder que, por muito tempo, pareciam intocáveis. É uma trajetória construída em confronto com aqueles acostumados a mandar sem serem contestados.
Suas vitórias políticas e eleitorais, portanto, não são obra de uma circunstância isolada. Há razões concretas para a permanência de Zó nas urnas e na política regional. Seu mandato foi construído a muitas mãos e tem como marcas a defesa dos trabalhadores, de quem produz no campo, da agricultura familiar e da economia solidária. Ao mesmo tempo, incorporou pautas de esporte, cultura e educação, além da articulação por investimentos e obras estruturantes para os municípios do Sertão do São Francisco.
Há, ainda, uma característica que talvez explique melhor do que qualquer estatística a sua capacidade de sobreviver às disputas: Zó nunca construiu sua política apenas em torno da eleição.
A cada quatro anos, quando alguns reaparecem para pedir votos, ele já estava lá. Nas comunidades, nos movimentos, nas lutas, nos municípios, nas articulações políticas e no cotidiano das pessoas para além do período eleitoral.
“No peito e na raça” é o lema que carrega desde o começo. Em 2026, a acrescento a fé de quem atravessou mais uma eleição acreditando que uma caminhada política não se mede apenas pelo tamanho da estrutura que se coloca na disputa, mas pela capacidade de permanecer de pé quando essa estrutura parece estar do outro lado.







