Objetivo é reforçar a comparação entre ele e o senador Flávio Bolsonaro. Campanha mira jovens, idosos e os que se abstiveram de votar no primeiro turno
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma estratégia mais voltada ao confronto direto com Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2026. O petista deve participar dos principais debates e ampliar a agenda de rua nos estados onde haverá nova votação.
Segundo uma fonte da campanha, Lula não participou dos debates do primeiro turno porque questionava o formato dos encontros. Agora, a avaliação é de que o segundo turno oferece condições para uma disputa mais direta, no modelo “tête-à-tête”.
O objetivo também é reforçar a comparação entre Lula e Flávio. Soberania nacional e terras raras devem permanecer entre os temas explorados. A previsão é de que o presidente grave nesta terça-feira novos materiais para a propaganda eleitoral e tenha uma outra reunião.
Outra fonte afirma que o presidente terá uma agenda mais intensa nas ruas, com foco no contato direto com eleitores. A previsão é de que viaje aos estados que terão segundo turno, além do Distrito Federal.
O chefe do Executivo se reuniu, nessa segunda-feira, em um hotel de Brasília, com ministros e outras autoridades para discutir a campanha do segundo turno. Um dos desafios é recuperar o interesse de cerca de 30 milhões de eleitores que não compareceram às urnas.
“São 30 milhões de pessoas que não foram votar”, afirmou. “Possivelmente tem uma causa: desinteresse. E a responsabilidade é nossa. É devolver o interesse para ele participar do processo eleitoral”, frisou.
Lula defendeu que a campanha não concentre esforços apenas em apontar erros cometidos pelos adversários. Segundo ele, o foco deve estar na identificação das falhas da própria campanha e na capacidade de corrigir rapidamente os problemas. “A gente não tem que ficar procurando defeito que os outros cometeram, que pode ter nos prejudicado. Nós temos que procurar o que nós não fizemos corretamente”, disse.
De acordo com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o segundo turno será marcado pelo embate de projetos apresentados por Lula e Flávio. “O segundo turno é uma outra eleição. Nós sabemos que é uma eleição de confronto direto de projetos”, afirmou.
Ao comentar o adversário de Lula, Edinho fez críticas à atuação política do senador e afirmou que ele representa um projeto que, segundo o dirigente petista, possui relações com milícias do Rio de Janeiro. Edinho também mencionou a divulgação de áudios e mensagens de ligações do presidenciável com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. “Está muito claro o que o Flávio Bolsonaro representa”, disse.
Recálculo
O núcleo político da candidatura também começou a refazer as contas sobre onde buscar votos e colocou no radar não apenas os eleitores de Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), mas também dois públicos considerados estratégicos: jovens e idosos.
A ordem agora é recalcular a rota. Integrantes da campanha avaliam que o desempenho nas urnas exige uma estratégia mais agressiva de expansão, com movimentos capazes de alcançar segmentos que resistiram ao petista no primeiro turno. A leitura é de que não bastará mobilizar a base tradicional de Lula.
Nesse desenho, o presidente pretende investir simultaneamente nas duas pontas da pirâmide etária. De um lado, a campanha quer reforçar a mobilização dos jovens, segmento no qual vê espaço para crescer nas próximas semanas. Do outro, vai insistir no chamado aos eleitores mais velhos, inclusive aqueles com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo. A avaliação no entorno presidencial é de que esse público pode representar uma reserva importante de votos numa disputa apertada.
A juventude entra na outra ponta dessa equação. Auxiliares avaliam que a campanha precisará encontrar uma linguagem capaz de ampliar a conexão de Lula com os mais novos, sobretudo a partir de temas econômicos, emprego, educação e perspectivas de futuro. A estratégia tende a combinar presença nas ruas com uma ofensiva nas redes sociais, terreno considerado decisivo para alcançar esse eleitorado.
Fonte: Correio Braziliense







