Campanha deste ano foi classificada pelo presidente como ‘a mais desorganizada desde 1989’
O presidente Lula (PT) colocou três petistas do Nordeste em postos-chave em seu núcleo de campanha
O presidente Lula (PT) fez uma mudança em seu núcleo de campanha e colocou três petistas do Nordeste em postos-chave: os ex-governadores Camilo Santana (PT-CE) e Rui Costa (PT-BA) e o governador reeleito Rafael Fonteles (PT-PI).
O movimento vem depois de Lula expor descontentamento com a organização de sua campanha de reeleição. O petista ficou com menos votos que seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no primeiro turno.
Figuras que estiveram na cúpula da campanha de Lula, como o presidente do PT, Edinho Silva, devem perder poder na disputa do segundo turno, ainda que sem deixar o entorno do presidente da República.
Camilo Santana deverá ser um dos principais articuladores políticos da campanha petista nas próximas semanas. Rui Costa assumiu atribuições relativas à agenda do candidato à reeleição. E Rafael Fonteles se tornou um dos principais conselheiros de Lula na área da comunicação.
Outra reformulação promovida pelo presidente é que agora ele, Lula, assumiu o controle de mais atividades. Decidiu, por exemplo, assistir previamente aos programas eleitorais a serem exibidos na TV. Também passou a aprovar ou não roteiro de caminhadas de campanha, entre outras medidas.
O petista também decidiu deixar alguns de seus aliados mais gabaritados nos estados para tentar alavancar sua votação localmente. É o caso do senador reeleito Jaques Wagner (PT-BA), da deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) e do ex-ministro Fernando Haddad (PT-SP) –os dois últimos derrotados em suas respectivas eleições.
O vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), que teve participação discreta no primeiro turno, deverá ter mais protagonismo nas próximas semanas. A missão será tentar atrair eleitores que, tradicionalmente, não votam em Lula.
Lula teve 45% dos votos no primeiro turno contra 47% de Flávio. Tenta, agora, uma virada inédita: desde a redemocratização, nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo saiu vencedor na votação final.
Aliados do presidente avaliam ser possível aumentar ainda mais sua votação em estados como Bahia, Ceará e Pernambuco, onde ele já foi bem votado.
Petistas baianos acreditam serem capazes de aumentar a vantagem de Lula sobre Flávio de 3,2 milhões para 3,7 milhões de votos no estado. No Piauí, aliados do presidente falam em passar a vantagem de 1 milhão para 1,2 milhão. O presidente também precisa evitar ficar em desvantagem ainda maior nos estados do Sudeste, que tem colégios eleitorais maiores e costumam votar contra o PT.
Na quarta-feira (7), o chefe do governo disse publicamente que esta é a menos organizada de suas disputas presidenciais, em fala feita para a militância com a presença do atual coordenador de campanha, Edinho Silva, um dos principais alvos de críticas internas.
“Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Acho que a gente poderia ter feito mais. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta”, declarou Lula no evento de quarta-feira.
A reta final da disputa presidencial expôs mais problemas e críticas internas à equipe de comunicação. Aliados elencam problemas como atrasos na distribuição de materiais aos estados, falta de conteúdos mais incisivos contra Flávio no início da campanha e interferências da primeira-dama, Janja, nas decisões.
Lula passou os dias seguintes ao primeiro turno realizando reuniões com seus aliados para reorganizar sua equipe e reformular seu discurso eleitoral. Na sexta-feira (9), ele retomará os atos de rua com uma caminhada com apoiadores em Ceilândia, a maior cidade-satélite de Brasília.







