Raquel teve mais de 1 milhão de votos casados com Lula

Numa postagem de fim de semana, joguei uma nuvem de suspeitas sobre a postura de lealdade do PT e, principalmente, do senador reeleito Humberto Costa, com João Campos (PSB), derrotado pela governadora Raquel Lyra no primeiro turno. Ontem, recebi de um leitor números que comprovam que houve, verdadeiramente, uma baita traição.

Vamos aos números: na totalização pelo TSE, Raquel teve 2.805.438 votos e Flávio Bolsonaro 1.738.043 votos. Para sair vitoriosa, a governadora obteve 1.067.395 votos agregados aos votos de Lula, ou seja, essa legião de leitores casou o voto dado a Raquel com Lula e não com João, o que, na prática, põe abaixo o esforço do então candidato do PSB a governador em fazer uma campanha 100% dobrada com Lula.

Traduzindo: o apelo do candidato do PSB pelo voto casado com Lula só beneficiou o presidente e candidato à reeleição, porque o PT em Pernambuco fingiu que fez campanha para João. Humberto, o senador mais votado, saiu das urnas com mais votos do que João.

Recebeu 2.531.389 votos ante 2.360.469 votos, 170.920 votos a mais. Com exceção de Teresa Leitão, candidata à Casa Alta na chapa de Danilo Cabral em 2022, graças ao efeito Lula, em Pernambuco nunca um candidato a governador perdeu a eleição e seus senadores foram eleitos. Humberto chegou a ter mais votos do que Marília Arraes (PDT), que liderou todas as pesquisas até às vésperas da eleição.

Por que tal fenômeno? Humberto era o candidato não oficial de Raquel. Teve o apoio declarado em propaganda de 40 prefeitos leais a governadora, a começar por Rodrigo Pinheiro (PDT), de Caruaru, município que Raquel governou por dois mandatos. Humberto chegou a fazer campanha nesses municípios sem João. O que é isso se não traição?

Em Tabira, município governado pelo PT, seara do deputado federal reeleito Carlos Veras, também petista e integrante do grupo de Humberto, Raquel teve quase 12 mil votos e João pouco mais de mil votos. Já em Jurema, no Agreste, também de prefeito petista, Raquel teve 57% dos votos e João 42%. A mesma coisa Granito, também no Sertão, onde Raquel teve 60% e João 39%.

A política ama a traição e odeia o traidor, como dizia o saudoso Leonel Brizola.

Post Author: Rogenilson Reis

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