Em encontro, Lula relembrou os 700 mil mortos pela doença no país durante governo Jair Bolsonaro
O candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), confessou que a gestão do pai dele, Jair Bolsonaro (PL), falhou no combate à Covid-19 e nas ações de saúde do país, entre 2019 e 2022.
A confidência foi feita durante o debate promovido pela Band, no domingo, 18, quando ele e o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, estiveram frente a frente.
O Brasil foi o segundo país do mundo com o maior número de vítimas fatais da Covid-19. Ao todo, mais de 700 mil brasileiros morreram em decorrência do vírus.
“A sociedade brasileira viveu um pânico por conta da Covid, e em nenhum momento culpei Bolsonaro, porque ele não era obrigado a saber das coisas. A única coisa que ele tinha que fazer era escutar os médicos. Não podia tomar cloroquina, não podia faltar vacina”, afirmou Lula.
Em resposta, Flávio reconheceu que “de fato a saúde não foi uma área que teve melhor resultado na gestão Bolsonaro […], faço aqui mea-culpa”,
Ao falar sobre as vacinas, ironizou o fato de Lula ter tomado à época o imunizante. “Inclusive Lula tomou vacina, tem Bolsonaro dentro do Lula”, disse Flávio.
Negociações e atrasos na compra de vacinas
Durante a pandemia de Covid-19, o governo do então presidente Jair Bolsonaro (PL) foi alvo de críticas pela condução das negociações para a compra de vacinas. As tratativas envolveram atrasos nas respostas a propostas de fabricantes, mudanças de posicionamento e questionamentos sobre contratos e procedimentos de aquisição dos imunizantes.
No caso da CoronaVac, o Ministério da Saúde chegou a anunciar a compra de 46 milhões de doses, mas o acordo foi suspenso após Bolsonaro se posicionar contra a aquisição. O contrato com o Instituto Butantan foi assinado posteriormente, em janeiro de 2021.
Também vieram a público questionamentos sobre uma negociação conduzida pelo então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, com uma empresa intermediária, por valores superiores aos praticados pelo instituto paulista.
A Pfizer afirmou ter apresentado propostas de fornecimento de vacinas ao governo brasileiro que ficaram sem resposta durante meses. Na época, integrantes do governo questionaram cláusulas contratuais, consideradas desfavoráveis pelo Ministério da Saúde.
Outra decisão que gerou críticas foi a adesão do Brasil à cota mínima do consórcio internacional Covax Facility, liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A opção previa doses suficientes para imunizar cerca de 10% da população brasileira, enquanto havia a possibilidade de adesão a uma cota maior.
AstraZeneca e Sputnik
O acordo com a AstraZeneca foi firmado em 2020 e previa a produção de vacinas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O cronograma de fabricação enfrentou dificuldades relacionadas à chegada de insumos importados da China, em meio a tensões diplomáticas entre os dois países.
As negociações envolvendo a AstraZeneca também foram examinadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que investigou suspeitas relacionadas a uma tratativa paralela e a um possível pedido de propina.
Já a aquisição da vacina Sputnik V ocorreu após iniciativas de governos estaduais para viabilizar a compra de doses. O imunizante enfrentou obstáculos regulatórios no Brasil, e sua utilização ficou condicionada às autorizações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Covaxin e CanSino sob suspeita
A negociação da Covaxin avançou em ritmo mais rápido do que outras tratativas conduzidas pelo Ministério da Saúde, mas foi marcada por denúncias de possíveis irregularidades.
Um servidor da pasta relatou ter sofrido pressão para aprovar a importação do imunizante e afirmou ter comunicado ao presidente Bolsonaro suspeitas sobre o contrato. O caso motivou investigações, incluindo a apuração sobre uma possível omissão do então presidente diante das denúncias.
No caso da vacina chinesa CanSino, o governo brasileiro assinou uma intenção de compra que previa o pagamento de US$ 17 por dose. A negociação foi intermediada por uma empresa que passou a ser investigada, e o negócio não avançou.







