Lula amplia vantagem sobre Flávio Bolsonaro na popularidade digital

Índice da Quaest aponta que Lula subiu para 83,3 pontos no ambiente virtual, impulsionado por mobilização e engajamento nas redes sociais

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato de campanha em Juiz de Fora: o evento “Lula em Juiz de Fora: O Brasil Pronto Pra Mais”, realizado na praça Riani , Juiz de Fora – MGCrédito: Ricardo Stuckert

247 – O presidente Lula (PT) sustentou e expandiu sua liderança no ambiente virtual diante do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) logo após o primeiro debate entre os candidatos ao Palácio do Planalto no segundo turno, promovido no último domingo (18) pela Band. A vantagem do candidato à reeleição em relação ao adversário atingiu a marca de 6,7 pontos percentuais, ampliando a diferença que era de 6,2 pontos registrada na sexta-feira (16) que antecedeu o encontro, informa a Folha de São Paulo.

O levantamento é realizado pelo IPD (Índice de Popularidade Digital), métrica desenvolvida pela consultoria Quaest. A ferramenta emprega um algoritmo específico para mensurar o desempenho dos postulantes em uma escala de 0 a 100 pontos, analisando um conjunto de 175 variáveis distribuídas em plataformas como Instagram, Facebook, X (antigo Twitter), TikTok, YouTube, Google e Wikipédia.

Segundo dados colhidos até a última segunda-feira (19), Lula atingiu a pontuação de 83,3 no indicador. O número representa um crescimento expressivo de 12,6 pontos quando comparado ao cenário registrado na véspera do primeiro turno, ocorrido no dia 5 de outubro. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro figura com 76,6 pontos, o que reflete um recuo de 3,5 pontos no mesmo intervalo de análise.

A estrutura do IPD fundamenta-se no acompanhamento contínuo de cinco pilares estratégicos: a presença digital nas principais redes; a fama (alcance e visibilidade do conteúdo); o engajamento do público; a capacidade de mobilização (compartilhamentos e menções de caráter espontâneo); a valência (proporção apurada entre interações positivas e negativas); e o interesse manifestado pelos usuários através de acessos e buscas recentes. Para garantir maior precisão no comportamento do eleitorado, a metodologia do algoritmo aplica filtros para neutralizar a interferência de perfis automatizados (bots).

A evolução dos números indica que a performance digital do chefe do Executivo retornou ao patamar máximo da série histórica, repetindo a pontuação de 83,3 pontos observada no período entre 8 e 11 de outubro. Esse momento marcou a recuperação da candidatura petista nas redes, revertendo a liderança que o parlamentar do PL mantinha com uma vantagem superior a 10 pontos antes da votação em primeiro turno.

O avanço nas métricas do presidente ocorreu mesmo diante da interrupção momentânea nas atividades de comunicação do deputado federal eleito André Janones (Rede-MG). Principal articulador do ecossistema de redes da campanha de Lula, Janones precisou ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Vila Nova Star, na capital paulista, para tratamento de uma arritmia cardíaca após o debate. O parlamentar teve alta hospitalar e já retornou à gestão das publicações digitais.

Por outro lado, Flávio Bolsonaro demonstrou uma reação sutil no indicador após ter atingido a menor marca recente no dia 16 de outubro, quando marcou 75,8 pontos. O índice atual do senador, contudo, permanece distante do pico de 81,7 pontos registrado no dia 6 de outubro, momento impulsionado pela formalização do apoio do ex-governador goiano Ronaldo Caiado (PSD) à sua candidatura para a etapa final do pleito.

A relevância do indicador na projeção do cenário eleitoral é destacada pelo diretor da Quaest, Felipe Nunes, que aponta uma correlação de 86% entre os dados do IPD e o comportamento do eleitorado nas urnas.

“O debate visto pelos cortes nas redes foi mais favorável ao Lula. Chegou a interromper a reação que Flávio vinha conseguindo produzir. Na véspera, ele teve o melhor dia desde o 1º turno: subiu 1,6 ponto no IPD, chegou a 38% dos comentários e ganhou mais seguidores que o Lula. Depois do debate, o Lula voltou a 83,3, o melhor nível dele, e retomou a liderança também no ganho de seguidores”, analisa o diretor da Quaest.

Nunes avalia ainda a dinâmica trazida pelos militantes nas redes após a exibição na televisão. “A mobilização digital pró-Lula, da qual o Janones é uma das faces mais centrais, apareceu com força no dia do debate. A pergunta para sábado é se a curiosidade em torno do Flávio vira conversa a favor dele”.

As equipes de ambos os candidatos preferiram minimizar o impacto direto do confronto na decisão do voto e já projetam modificações nas estratégias para o próximo debate, marcado para esta sexta-feira (23) na TV Globo.

No detalhamento das métricas individuais, Lula somou 178 mil novos seguidores no Instagram após a transmissão de domingo, contabilizando 2,2 milhões de adesões desde o primeiro turno e totalizando 18 milhões de inscritos na rede. Flávio Bolsonaro captou 149 mil novos acompanhantes após o programa, somando 1,8 milhão de novos perfis desde 4 de outubro, alcançando um total de 15 milhões.

Quanto ao volume total de interações, o presidente Lula também assumiu a dianteira em relação ao adversário. Durante o dia da votação em primeiro turno, Flávio concentrava 88% de todos os comentários feitos nos perfis dos dois candidatos. No entanto, a preferência inverteu-se nos dias seguintes, culminando na marca de 95% dos 6 milhões de comentários voltados às contas de Lula na data do debate.

Por outro lado, o levantamento do Google Trends sinalizou um aumento na procura pelo nome de Flávio Bolsonaro, embora a quantidade de pesquisas pelo presidente continue em nível superior. No índice de interesse de busca, o candidato do PL subiu de 6 para 15 pontos após o evento, enquanto Lula manteve uma trajetória estável com 49 pontos.

Ao sintetizar o papel dos veículos de massa na era da conectividade, Felipe Nunes ressalta a integração entre a transmissão e a repercussão virtual. “Debate na TV hoje é um evento digital. Mostramos isso com o efeito Pablo Marçal em São Paulo em 2024. A disputa não termina quando a transmissão acaba; ela continua nos comentários, nos cortes e nas buscas do dia seguinte. E os dados mostram que cada candidato colheu o debate de um jeito: o Lula, em conversa; o Flávio, em curiosidade”, conclui o especialista.

Post Author: Rogenilson Reis

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *