Se Flávio ganhar, o ministério que poderá ser ofertado à Bahia será de ACM Neto, por Raul Monteiro

Há notícias em Brasília de que Flávio Bolsonaro já monta seu ministério para a expectativa, concreta para ele e seus apoiadores, de que ganhará as eleições neste domingo. E que, como já comentado aqui e ali, mas ainda não confirmado pelo próprio presidenciável, a Bahia estará contemplada com uma posição importante no primeiro escalão do novo governo bolsonarista. A despeito das referências a pelo menos três nomes, o único que permanece sobre a mesa do senador do PL carioca é o de ACM Neto (União Brasil).

Pelo menos é o que asseguram fontes com acesso ao comando do PL nacional. Se elas estiverem certas, estarão fora de um eventual ministério de Flávio tanto o presidente do partido no Estado, João Roma, que perdeu a disputa ao Senado nestas eleições, como o senador Angelo Coronel (PSD), que também não conseguiu se reeleger na mesma chapa. Junto com o nome de Neto, os dois passaram a ser lembrados como opções para compor o ministério de Flávio desde que saiu o resultado do primeiro turno, o presidenciável passou ao segundo como favorito e os três perderam as eleições.

Então, armou-se um encontro entre eles com Flávio em Brasília, com a presença do prefeito Bruno Reis (União Brasil), no qual Neto anunciou apoio ao presidenciável no segundo turno, argumentando que não havia alternativa a seguir, depois que o presidente Lula veio à Bahia na semana do primeiro atacá-lo e pedir ao eleitor que votasse nele para descarregar votos no governador Jerônimo Rodrigues (PT), num veto político ao fenômeno Lula-Neto, pelo qual, de forma espontânea, eleitores lulistas (e não petistas) vinham manifestando sua preferência pela eleição de Neto ao governo.

A ocupação de um ministério por Neto, ainda mais de uma pasta que tenha importância e dê visibilidade ao líder político baiano, é vista como essencial para seus futuros planos políticos. Seus aliados lembram que ele está sem mandato desde que deixou a Prefeitura de Salvador, em 2012, e que tem hoje nas costas duas derrotas ao governo do Estado. Apesar do controle que exerce sobre o grupo político que comanda o Thomé de Souza, é fundamental que se articule com vistas à agora delicada sucessão municipal de 2028 e, naturalmente, a estadual, de 2030.

Não é por acaso que há incentivo em seu grupo para que, sobretudo se não quiser aceitar um eventual ministério que Flávio possa lhe ofertar, Neto concorra à sucessão de Bruno daqui a dois anos. Afinal, depois de duas derrotas consecutivas ao governo do Estado, não há dúvida de que a Prefeitura da capital baiana passou a se constituir, como diz um hábil aliado político dele, na jóia da coroa do grupo político que Neto comanda. Perdê-la pode significar pôr em risco um capital político constituído ao longo das duas últimas décadas sem qualquer garantia de recuperá-lo.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

Post Author: Rogenilson Reis

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