Tarcísio de Freitas quer ser candidato a presidente em 2030 e aconselhou Flávio Bolsonaro a não deixar o Brasil

Governador de São Paulo disse que recomendou ao senador permanecer no país após ser intimado pela Polícia Federal; Flávio viajou para os EUA. 

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), quer ser candidato à Presidência da República em 2030, reconheceu o resultado das urnas e aconselhou o candidato não eleito Flávio Bolsonaro (PL) a não sair do Brasil. Assim como Tarcísio, aliados não sabiam do plano de viagem do senador.

“Uma pessoa que acabou de conquistar 60 milhões de votos, minutos depois da proclamação do resultado, já está sendo ali admoestado pela Polícia Federal, mas com que base?”, disse Tarcísio de Freitas, em entrevista ao Estadão.

O governador reeleito esteve com Flávio na última segunda-feira (26), logo após o senador ser intimado pela Polícia Federal (PF), e aconselhou que ele não deixasse o país.

“O conselho que nós demos a ele —os advogados, eu, [Rogério] Marinho, as pessoas que estavam ali reunidas— foi que ficasse [no Brasil]. Mas é o que eu falo: eu não julgo a decisão que foi tomada porque é muito duro passar… ele está com o pai preso há quanto tempo?”, aconselhou.

Flávio Bolsonaro é alvo de investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Os casos envolvem suspeitas de irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”, que conta a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e de lavagem de dinheiro em negócios relacionados a casas de apostas cujo dono é Willer Tomaz, advogado e amigo de Flávio.

O senador deixou o Brasil e pousou em Miami, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (28). Em uma operação secreta, Flávio, que descumpriu ordem do STF para entregar seus passaportes, viajou aos Estados Unidos após entrar por terra na Argentina, embarcar em um avião particular, contornar o espaço aéreo brasileiro e fazer escala no Equador, de acordo com as fontes.

Investigações contra Flávio Bolsonaro

Em uma das apurações, sob relatoria do ministro André Mendonça, Flávio é investigado pela possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação mira repasses de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, à produção.

Outra investigação que tramita no STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, apura se o senador cometeu o crime de lavagem de dinheiro usando uma casa de apostas.

A Polícia Federal (PF) quebrou o sigilo telemático do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, e encontrou e-mails que apontavam que o senador foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz.

A PF afirma, em seu relatório, que há “elementos indicativos de vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto”, a primeira a obter autorização estadual da Loterj, no Rio de Janeiro, para explorar apostas esportivas de cota fixa no estado.

Fim do mandato e foro privilegiado

O mandato de Flávio como senador termina em 2027 e, com a derrota nas urnas, ele deixará de exercer um cargo público e, por isso, não terá mais foro privilegiado em razão do mandato de senador.

O chamado foro privilegiado, tecnicamente denominado foro por prerrogativa de função, é a regra que determina que determinadas autoridades sejam investigadas e julgadas criminalmente por tribunais específicos em razão dos cargos que ocupam. No caso de senadores, crimes ligados ao exercício do mandato são analisados pelo STF.

Mesmo assim, as investigações das quais é alvo podem permanecer no STF. Isso porque, em 2025, o tribunal decidiu que, quando o crime investigado tiver sido praticado durante o exercício do cargo e estiver relacionado às funções desempenhadas pela autoridade, o foro é mantido mesmo após o fim do mandato.

Advogados criminalistas ouvidos pelo g1 avaliam que ambos os casos devem permanecer no STF, porque Flávio supostamente usou seu “prestígio” como senador para conseguir as vantagens.

Inquérito por calúnia contra Lula

Flávio também responde a um inquérito no STF por crime de calúnia contra Lula. Em uma postagem publicada no X, antigo Twitter, em 3 de janeiro de 2026, Flávio atribui ao presidente reeleito crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Em julho, a PF cancelou o depoimento do senador sobre o caso após a defesa apresentar esclarecimentos.

https://www.instagram.com/blogdovalenteoficial/?utm_source=ig_embed&ig_rid=ASAkRyGmQ2NMBU14G6888KI

Post Author: Rogenilson Reis

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *