O governador reeleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), surpreendeu e disse que o sucesso de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Presidência da República não precisa ser filiado ao Partido dos Trabalhadores.
Em entrevista ao jornal O Globo, Jerônimo avalia que ainda é cedo para discutir a sucessão de Lula. Por outro lado, o governador da Bahia defendeu que o debate sobre o sucesso do presidente seja construído a partir de um campo mais amplo de alianças.
Embora considere cedo para discutir nomes, Jerônimo citou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) como exemplo de liderança de outro partido que desempenha um papel importante na atual gestão.
“Lula nem montou o Ministério. Ele não surgiu como líder pronto para ser presidente. Foi construindo os ambientes. Só que nós temos pouco tempo. Os nomes colocados precisam aparecer numa posição adequada (no governo)”, disse.
“O vice-presidente Geraldo Alckmin ajudou bastante e não é do PT. Lula está fazendo um movimento dentro do Congresso e vai precisar de diversos partidos. O que importa é o projeto para o país e quem está alinhado politicamente”, acrescentou.
Jerônimo defende cautela na escolha de nomes
Questionado sobre o perfil de um possível sucessor de Lula deverá apresentar, Jerônimo afirmou que é necessário saber ouvir as demandas da população e compreender os movimentos do mercado, sem se deixar pressionar por eles.
“Saber ouvir o que as ruas estão dizendo. Entender o que o mercado está falando e filtrar, porque tinha precificado a vitória do Flávio Bolsonaro e agora resolveu apressar a nomeação de ministro da Fazenda”, declarou.
“É legítimo cobrar, mas não forçar. O Lula precisa de tempo adequado para escolher o ministro. Ele já governou três vezes e nunca deu cavalo de pau. Não é de fazer pirueta”, emendou.
Governador cobra mais espaço para o Nordeste
Além de tratar da sucessão presidencial, Jerônimo defendeu maior representatividade do Nordeste nas decisões nacionais do PT e na composição do governo federal. O governador lembrou que os quatro chefes de Executivos estaduais do partido são nordestinos e destacou a presença da região na bancada do Senado.
Reeleito no primeiro turno na Bahia, estado que garantiu cerca de seis milhões de votos a Lula, Jerônimo afirmou que o peso político da região precisa ser reconhecido, mas ponderou que a distribuição de ministérios não deve seguir uma lógica puramente matemática.
“O PT nacional precisa enxergar que são quatro governadores do partido, todos do Nordeste. A maior parte dos senadores também. Temos uma força para ser calibrada da forma adequada”, afirmou.
“Não significa impor ao Lula uma troca. Mas política se faz com reconhecimento. O Nordeste precisa ser visto e pode contribuir. A Bahia tem bons nomes. Queremos dividir com Lula a responsabilidade e dizer: ‘A decisão é sua, mas estão aqui (os nomes)’”, concluiu.











