Associação das Mulheres Rendeiras envia Nota sobre o ocorrido na MOSTRA NOVEMBRO NEGRO

Associação das Mulheres Rendeiras

NOTA DE REPÚDIO

Na noite deste domingo (24), por volta das 20h, no encerramento da Mostra de Artes Novembro Negro, evento com o tema “LIBERDADE É NÃO TER MEDO DE BRILHAR” realizada no bairro Rio Corrente em Petrolina – Pernambuco, houve uma ação violenta promovida por alguns policiais do 2° Biesp.

A polícia abordou uma pessoa do público (homem negro, vestindo uma camisa do Flamengo) que, segundo os policiais, estaria portando arma. Nenhuma arma foi encontrada. Os organizadores do evento relatam que a forma de acesso ao espaço, ou seja, a abordagem policial com motociclistas seria desnecessária e colocava em risco crianças e outras pessoas ali presentes. Karol Souza, mulher, jovem, negra, membro da Associação das Mulheres Rendeiras, realizava as filmagens para o evento quando também foi abordada por usar o celular, seu objeto pessoal e de comunicação. Ao negar a entrega do seu aparelho, Karol Souza também foi agredida pelos policiais.

Na tentativa de resolver a situação, o músico e educador Maércio José e o Poeta Nascimento – Sertão Poeta, ambos negros, artistas, abraçaram Karol (um abraço coletivo) e, a partir deste momento, foram imobilizados e também agredidos pelos policiais que faziam parte da operação, juntamente com o reforço policial que foi mobilizado (cerca de 8 viaturas). Outros participantes e colaboradores do evento pacífico foram agredidos com técnicas de luta a exemplo de golpes “mata-leão”. Em seguida, foram detidos injustamente, sendo Maércio José agredido também no olho com spray de pimenta, que também foi usado para atingir outros participantes do evento, incluindo crianças que estavam acompanhadas dos seus pais.

Além das pessoas acima citadas, foi também agredido e detido injustamente o professor e vereador Gilmar Santos, que participava do evento, sendo ele levado para a delegacia por tentar resolver a situação de forma pacífica. Vários artistas foram à delegacia durante a madrugada para prestar apoio às pessoas detidas injustamente.

Nós, da Associação das Mulheres Rendeiras do Bairro José e Maria, repudiamos veementemente qualquer ato de violência, seja contra a mulher, contra artistas, parlamentares ou qualquer cidadão e cidadã deste país. A ação policial citada, diferentemente da tentativa dos participantes de pacificar a situação, deixará ferimentos físicos e mentais à mostra. São traumas e situações desumanas, contra as quais as Mulheres Rendeiras lutam diariamente no bairro, na cidade e no país. Esta ação policial toma proporções ainda maiores quando a ação acontece de forma ilegítima e atenta contra participantes de um evento pautado na transformação do ser humano e na conscientização da sociedade. A Associação das Mulheres Rendeiras tem um histórico de ações pacíficas de MULHERES e HOMENS que promovem a cultura da paz. É justamente contra ações vergonhosas como esta da polícia que crianças, mulheres, jovens, adultos e idosos lutam e veem na Associação das Mulheres Rendeiras uma voz e um espaço pacífico de transformação social.

A Associação das Mulheres Rendeiras de Petrolina repudia veemente a ação violenta da polícia ocorrida neste dia 24 de novembro durante a MOSTRA NOVEMBRO NEGRO e quer esclarecimentos para tal ação vergonhosa dos policiais.

Petrolina, 25 de novembro de 2019

Post Author: Editor Vale Comentar

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