
O presidenciável Jair Bolsonaro (PSC-RJ) usa verba da Câmara dos Deputados para empregar uma vizinha dele em um distrito a 50 km do centro de Angra Dos Reis (RJ).
A servidora tem um comércio de açaí na mesma rua onde fica a casa de veraneio do deputado, na pequena Vila Histórica de Mambucaba.
Segundo moradores da região, Wal, como é conhecida, também presta serviços particulares na casa de Bolsonaro, mas tem como principal atividade um comércio, chamado “Wal Açaí”.
OUTRO LADO
O deputado nega que tenha utilizado dinheiro da Câmara para pagamentos de serviços da casa e que Walderice seja uma funcionária fantasma.
Perguntado sobre qual seria o trabalho desempenhado por ela, Bolsonaro respondeu: “Ela reporta a mim ou ao meu chefe de gabinete qualquer problema na região”.
“Não tem uma vida constante nisso. É o tempo todo na rua? Não. Ela lê jornais, acompanha o que acontece”.
A reportagem pediu ao presidenciável algum exemplo de serviços parlamentares prestados pela funcionária.
“Peraí, ela fala com o chefe de gabinete”, se limitou a dizer.
“Como é que eu vou saber? Se eu mantiver um contato diário com meus 15 funcionários, eu não trabalho”.
Bolsonaro foi questionado sobre as diversas movimentações salariais que fez para Walderice ao longo dos quase 15 anos de trabalho prestado.
“O que de vez em quando acontece: um funcionário é demitido. Aquela verba que “sobra” então a gente destina para um [outro] funcionário, por pouquíssimo tempo. Tem uma verba fixa para pagar funcionários. Ganha tão pouco, por que não posso dar uma ajuda por dois, três meses?. Em vez de pagar R$ 1.300, paga R$ 1.500 ou R$ 2.000″.
Sobre o marido, Bolsonaro negou que ele seja caseiro da casa, mas afirmou que Edenilson o ajuda na casa, inclusive dando comida para os cachorros.
“Não vai querer mover uma ação trabalhista porque ele vem duas ou três vezes por semana aqui.”
Em um vídeo publicado no Facebook nesta quinta, Bolsonaro diz que sua casa em Angra “é onde, segundo a Folha de S.Paulo, eu tenho uma mansão”. A reportagem da Folha escreveu que o deputado declarou um terreno na região em 1998. Incluiu o imóvel na relação do total de 13 da família Bolsonaro, sem chamá-lo de “mansão”.
Bolsonaro afirma ainda que os repórteres do jornal estiveram no local para conferir a “mansão”. A reportagem visitou a região com o objetivo de confirmar se a funcionária do seu gabinete realmente vive e trabalha na mesma rua da residência do deputado.
Fonte Folha de São Paulo








