Após um ano, Lula encerra luto e doará pertences de Marisa


Em meados do ano passado o ex­presidente Lula foi ao banheiro, em seu
apartamento em São Bernardo do Campo (SP), e sentiu a falta do conjunto de
crochê, desses vendidos em lojas populares, que a ex­primeira­dama Marisa
Letícia havia comprado para enfeitar o cômodo. Eram pequenos tapetes
colocados na saída do box do chuveiro e no contorno do piso do vaso
sanitário, que também tinha uma capa do mesmo material revestindo a sua
tampa.
O sumiço dos enfeites era obra de uma das noras do petista, que justificou
que os tecidos estavam desgastados pelo tempo. Lula, então, mandou que os
filhos providenciassem outro jogo igual, queria tudo como a mulher havia
deixado. Os filhos não precisaram ir até a loja. Havia mais guardados no
armário.
Até agora o ex­presidente manteve intocado tudo o que diz respeito à exprimeira­dama, cuja morte completa um ano neste sábado (3). A missa em
memória de Marisa, que acontecerá no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC,
em São Bernardo, vai encerrar o luto da família.
DOAÇÃO
Lula e os filhos decidiram doar roupas e objetos dela para o bispo emérito de
Blumenau, dom Angélico Sândalo Bernardino, que vai distribuir entre os
moradores da periferia de São Paulo. O sacerdote, de 85 anos, que vai
comandar o ato litúrgico no sindicato, trocou a diocese da cidade catarinense
por uma casa na Vila Brasilândia, um dos bairros mais carentes e violentos
da capital paulista. Pretende ver as mulheres pobres do bairro vestindo as
peças que já foram de uma primeira­dama.
Não é pouca coisa a ser doada. Marisa Letícia tinha como hábito nunca se
desfazer de vestidos, terninhos e acessórios, sobretudo se fosse presente de
alguém.
Como mulher de um presidente da República, ganhou muitos agrados de
pessoas que admiravam sua trajetória e a do marido. “Se algum familiar
aconselhava a se desfazer de algo, ela não reagia bem. Perguntava: quem
ganhou o presente, eu ou você?”, diz Camilo Vannuchi, jornalista que prepara
uma biografia da ex­primeira­dama.
Marisa armazenava, por exemplo, todo o material das festas juninas que
gostava de promover para os amigos e parentes. De um ano para outro ia
crescendo o volume de bandeirinhas e lâmpadas que iam para os armários.
Lideranças do partido, como o senador Lindbergh Farias, o ex­prefeito
Fernando de São Paulo Fernando Haddad, o governador do Piauí, Wellington Dias, além de deputados e ex­ministros confirmaram presença na missa, que
acontecerá às 19h.
De manhã, o PT organiza um ato de inauguração extraoficial do viaduto
Marisa Letícia, na zona sul de São Paulo. O evento é uma resposta ao prefeito
João Doria, do PSDB, que não quis promover um evento para marcar a
abertura da obra, alegando que Marisa Letícia nunca tinha feito nada por São
Paulo que merecesse essas homenagens.

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