domingo, 8 de novembro
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A terceirização da saúde bateu à porta de Juazeiro — e eles mesmos estão provando o fracasso do modelo que defendem.

Por Rogenilson Reis 3 min de leitura

Lembra quando eu disse que a terceirização da saúde era uma bomba-relógio?
Lembra quando alertei que, no dia em que faltasse médico, remédio ou salário, não saberíamos mais quem cobrar — o Governo, a Prefeitura ou a empresa contratada?

Pois é.
Chegou o dia.
E chegou rápido.

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A própria SESAB acaba de notificar a OSID — entidade que administra o Hospital Regional — por falta de pagamento aos médicos, mesmo tendo recebido R$ 22 milhões em repasses nos últimos 45 dias.
Repetindo: mesmo com repasse, não pagaram.
E como sempre, quem ficou no prejuízo?
O povo. Os servidores. Os pacientes.

Leia também: Juazeiro: Confira bairros com falta de água neste sábado (07), segundo o SAAE

Esse é o modelo que estão trazendo para Juazeiro.
É exatamente essa lógica que querem implantar na atenção básica, nas unidades, nos postos.
Uma gestão que:
• terceiriza responsabilidade,
• terceiriza culpa,
• e terceiriza até a dignidade do trabalhador,

…mas na hora de receber o dinheiro, não terceiriza nada.

Agora percebe?
O que venho falando há meses não era exagero.
Era previsão baseada na experiência do que já acontece no próprio Estado — e curiosamente, administrado pelos aliados políticos do prefeito.

Hoje o Hospital Regional — referência de toda a região — vive atraso de salário, clima de tensão, falta de estrutura e uma OS que não cumpre o básico: pagar o profissional que salva vidas.

E veja a ironia:
quando o problema apareceu, o Governo jogou a culpa na OSID.
E a OSID, daqui a pouco, vai jogar a culpa na SESAB.
E a SESAB joga na crise.
E a crise joga no contrato.
E enquanto isso… quem paga a conta é o povo.

Esse é o “modelo de gestão moderna” que estão trazendo para Juazeiro.
A mesma receita, o mesmo fracasso, o mesmo roteiro de sempre:
repasse entra, serviço desaba, culpa troca de endereço e a população sofre.

Quando tentam vender isso como inovação, como progresso, como “gestão eficiente”…
a própria realidade desmente.
E agora temos a prova mais explícita possível:
nem com milhões repassados o modelo OS/OSC funciona.

E se no Hospital Regional — com estrutura maior, mais verba e mais visibilidade — já está assim, imagine o que acontecerá nos bairros, nas UBSs, nos distritos, na zona rural?

A verdade incomoda, mas precisa ser dita:
Juazeiro não precisa de maquiagem de gestão.
Precisa de gestão de verdade.

E quem ama a cidade não se cala vendo o futuro dela ser entregue a contratos que não entregam nada além de propaganda.

Fé e coragem.
A verdade sempre aparece — hoje, mais uma vez, ela veio à tona.

Raffani Souza

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