Amigos de Remís protestam e acusam Estado de omissão e negligência
Acompanhados por advogados, amigos da estudante de Pedagogia Remís Carla Costa, de 24 anos, morta asfixiada e enterrada pelo namorado, prometem ir nesta terça-feira até a 1ª Delegacia da Mulher, no bairro de Santo Amaro, área central do Recife. O protesto está marcado para as 13h30.
Eles acusam o Estado de Acompanhados por advogados, amigos da estudante de Pedagogia Remís Carla Costa, de 24 anos, morta asfixiada e enterrada pelo namorado, prometem ir nesta terça-feira até a 1ª Delegacia da Mulher, no bairro de Santo Anaro, área central do Recife. Eles acusam o Estado de omissão e negligência no caso e querem cobrar explicações à Justiça e à Polícia Civil pela falta de proteção à vítima, que teria denunciado o pedreiro Paulo César Oliveira Silva, de 25 anos, no dia 23 de novembro deste ano. O grupo ameaça acionar as corregedorias policiais e judiciais nas esferas estadual e federal.
Segundo eles, a universitária não teria recebido medida protetiva, medida que teria sido condicionada pelo depoimento de uma testemunha das agressões sofridas. “Vamos denunciar porque entendemos que a polícia e o Estado como um todo negligenciou desde a denúncia até a morte de Remís. Denunciamos a forma com que ela foi tratada na Delegacia e a medida protetiva que ela sequer conseguiu. Fazemos isso para evitar que outras mulheres sejam tratadas dessa forma”. Jéssica Alves, amiga de Remís.
O caso está sendo acompanhado pela advogada Maria José Amaral, amiga da vítima e pelo advogado Bruno Gomes, que presta assessoria jurídica à Associação de Moradores e Posseiros da Zona 6 da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), onde Remís atuava como diretora.
Feminicídio – Remís Carla, que já havia prestado queixa de agressão contra Paulo César, estava desaparecida desde o dia 17. O corpo da estudante só foi encontrado no dia 23 de dezembro, seis dias depois de ela ter sido morta, após a polícia receber uma denúncia anônima. “Em nenhum momento, Paulo demonstrou arrependimento e sempre se mostrou muito frio e tranquilo”, disse o delegado Elder Tavares.
Alguns moradores afirmam que ele é amigo muito próximo do dono da casa na qual o corpo foi encontrado enterrado, na tarde do último sábado.Caso a Polícia Civil confirme a participação de uma segunda pessoa no feminicídio e/ou ocultação de cadáver, a versão de Paulo César de que a morte de Remís foi motivada por uma briga por causa de um celular pode se tornar contraditória e levantar suspeita de um crime premeditado. O pedreiro disse que discutiu com Remís depois que ela pediu para ficar com o celular dele, porque ele quebrou o aparelho dela. A discussão teria evoluído para uma luta, culminando com a morte da estudante por asfixia através de esganadura.
No domingo, a PM recebeu denúncias de que o dono da casa onde o corpo foi encontrado, Arthur Henrique do Nascimento, 28, teria auxiliado Paulo César a cavar a cova para ocultar o cadáver. Ontem, o Diario esteve no loteamento e algumas pessoas afirmaram que, além de vizinhos, os dois são bastante amigos.
Em depoimento, Paulo César havia dito que foi buscar a namorada na UFPE na sexta-feira, dia 15, e os dois passaram o fim de semana juntos. Amigos de Remís, contudo, afirmam que ela só queria buscar os pertences dela que estavam na casa de Paulo. De acordo com a Polícia Civil, outras testemunhas foram escutadas no domingo, no DHPP, mas o conteúdo só será revelado “quando as informações estiverem consolidadas”.











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