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Artigo: A direita precisará aprimorar sua visão social para retomar o poder

Por Rogenilson Reis 4 min de leitura

Enquanto alguns da Esquerda incitam a luta dos pobres contra os ricos, mesmo vivendo na riqueza, é visível, por outro lado, uma sensibilidade social frágil, meramente retórica ou pontual, entre muitos agentes políticos da Direita. Com isso, perdem oportunidades cruciais de estabelecer diálogo e promover construção política.

Falta-lhes uma visão mais profunda e estratégica das necessidades das classes D e E, quase sempre ignoradas ou interpretadas sob visões ideológicas que desprezam o sofrimento.

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São raríssimos os projetos de longo prazo que tocam efetivamente as bases sociais com empatia e ação concreta. Venho alertando sobre isso há tempos, mas o tema segue sendo tratado com relativa indiferença. Esse calcanhar de Aquiles alimenta um distanciamento desnecessário das camadas mais pobres e vulneráveis do tecido social.

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Gramsci, o pensador italiano que inspirou as estratégias usadas pela Nova Esquerda, ensinava que quem deseja conquistar e manter poder deve construir consenso social e cultural, não apenas impor políticas. A hegemonia se forma quando as ideias se transformam em senso comum, quando alcançam o cotidiano das pessoas. A Direita, no entanto, em grande parte, tem ignorado essa construção e falhado em apresentar soluções reais para problemas como a fome, a desigualdade e a exclusão social. Falar sobre meritocracia ou apenas repetir chavões sobre liberdade econômica, sem enfrentar a desigualdade estrutural, é negar a existência de uma bomba-relógio.

Sem visão social, não poderá existir continuidade. Nenhuma nação sobrevive sustentada apenas por seus índices macroeconômicos positivos ou pelo crescimento de ilhas de prosperidade em meio a um mar de miséria. A estabilidade política e o progresso duradouro exigem inclusão, justiça e empatia. A ausência dessa visão profunda e solidária compromete não só o presente dos mais vulneráveis, mas o futuro de toda a sociedade. O que não se enfrenta hoje com responsabilidade retornará amanhã como crise social, moral e institucional.

É preciso encontrar um ponto de equilíbrio. Nenhuma sociedade pode sustentar de forma coerente uma cultura meritocrática sem antes garantir igualdade de preparo educacional e condições básicas comuns a todos. Enquanto existir uma elite privilegiada capaz de concentrar em um único bairro mais renda do que todo o restante da população de uma cidade, não haverá paz social, tampouco desenvolvimento uniforme. O que veremos serão bolhas isoladas de prosperidade, cercadas por uma pobreza crescente e reinante, marcada pelo êxodo rural, pela ocupação desordenada do espaço urbano, pelo aumento da criminalidade, da evasão escolar e pela proliferação de doenças entre os que não têm acesso à saúde de qualidade, além de uma insegurança alimentar preocupante. Todos esses elementos formam um combustível perigoso, capaz de desestabilizar qualquer nação. O Brasil precisa acordar para essa realidade, seja pela Direita ou pela Esquerda. O povo pede isso.

O povo? Esse sim, está se cansando de discursos vazios e de promessas ideológicas. O que se busca são respostas, soluções reais e visíveis. Na França pré-revolucionária, por exemplo, a indiferença da nobreza diante da miséria popular ajudou a provocar a queda da monarquia. A frase “se não têm pão, que comam brioches”, ainda que mal atribuída, tornou-se símbolo de um distanciamento brutal entre o topo e a base. Hoje, chamar de “vagabundo” quem não teve acesso à educação ou à capacitação profissional não resolve o problema da violência nem da miséria, apenas reforça muros sociais e culturais. Da mesma forma, parte expressiva da Esquerda vive no luxo enquanto alardeia a luta dos pobres contra os privilegiados, o que é pura hipocrisia. A chamada esquerda caviar é tão desconectada quanto a Direita elitista. Discursar sem promover mudanças não sustentará a ordem de uma nação. É desse abismo entre discurso e prática que nascem as revoluções ou convulsões sociais.

* os artigos encaminhado por colaboradores não representam necessariamente a opinão do Blog.Texto: Teobaldo Pedro é pastor, teólogo, educador, filósofo e psicanalista. Foto gerada por IA

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