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Atletas de jiu-jítsu acusam professores de importunação e assédio sexual em academias de Salvador

Por Rogenilson Reis 4 min de leitura

Casos são apurados por delegacias especializadas

Atletas acusam professores de importunação e assédio sexual em academias de jiu-jítsu Crédito: Acervo Pessoal + Arisson Marinho/CORREIO

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O tatame, espaço associado à disciplina, ao respeito e ao autocontrole, voltou ao centro do debate sobre o machismo no esporte após o registro de duas denúncias envolvendo supostos casos de importunação sexual e assédio sexual em projetos sociais de jiu-jítsu em Salvador. As ocorrências, registradas com intervalo de cinco dias no mês de maio, são investigadas pela Polícia Civil e têm como vítimas uma adolescente de 16 anos e uma atleta profissional.

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O primeiro caso é apurado pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra a Criança e ao Adolescente (Dercca). A denúncia envolve uma ex-aluna de um projeto social que funciona em uma academia no bairro da Pituba.

Segundo o boletim de ocorrência, a adolescente afirma ter sido vítima de importunação sexual durante uma viagem a São Paulo para uma competição, no dia 1º de maio. Ela aponta como autor o professor Rudá Boaventura de Macedo.

“Aconteceu na casa de um aluno de lá. Ele fez isso quando ela estava sozinha. Perguntou: ‘onde está o lixo?’ e apertou as nádegas de minha filha”, conta a mãe da vítima, Caroline Martins da Silva.

Caroline relata que a filha contou o episódio a colegas logo após o ocorrido e que outras alunas disseram ter vivenciado situações semelhantes.

Ela afirma ainda que, após o fato, a adolescente passou a sofrer constrangimentos dentro da equipe, perdeu o interesse pelos treinos e decidiu deixar o projeto.

Adolescente foi ouvida na Dercca ao lado da mãe, Caroline Martins (direita) Crédito: Arisson Marinho/CORREIO

Em nota, a Polícia Civil informou que a Dercca investiga uma denúncia pelos crimes de importunação sexual e injúria registrada em 20 de maio e que diligências e oitivas seguem em andamento para esclarecer os fatos.

Relato de atleta

O segundo caso é investigado pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) e tem como denunciante a atleta profissional de jiu-jítsu Larissa Ferreira.

No boletim de ocorrência, ela relata supostos episódios de assédio sexual, intimidação psicológica e abuso de autoridade praticados por um professor ligado a um projeto social localizado no bairro da Boca do Rio.

Segundo a atleta, o investigado utilizava a posição de liderança para constranger alunas e exercer influência sobre elas. Larissa afirma ainda que um grupo criado por integrantes da academia para compartilhar relatos sobre a conduta do professor teria motivado um treino que ela classificou como punitivo, durante o qual participantes teriam sido submetidas a técnicas de asfixia como forma de represália.

“Tapavam a minha boca e nariz para que eu não respirasse e repetiram isso com todas as outras meninas que estavam no grupo”, conta Larissa.

Atletas acusam professores de importunação e assédio sexual em academias de jiu-jítsu

Larissa Ferreira diz que foi vítima de assédio sexual de professor quando estava em Salvador  Crédito: Acervo Pessoal

A atleta também declarou que permaneceu no projeto por anos por receio de perder oportunidades no esporte e que decidiu formalizar a denúncia após outras mulheres tornarem públicas acusações semelhantes envolvendo nomes conhecidos do jiu-jítsu.

Em nota, a Polícia Civil informou que a Deam da Casa da Mulher Brasileira apura uma denúncia de assédio sexual registrada em 15 de maio. Segundo a corporação, diligências investigativas e oitivas estão sendo realizadas para o completo esclarecimento do caso.

Defesas

A reportagem procurou o advogado do professor Rudá, Rogério Matos. Através de áudios, Matos disse que “isso não existiu e é uma denúncia caluniosa e que, após a apuração, as pessoas envolvidas serão responsabilizadas”. “O professor Rudá já teve, ao logo de sua trajetória, cerca de cinco mil alunos e não existe numa ocorrência em desfavor de Rudá”, diz Rogério.

A reportagem procurou o professor do segundo caso, mas sem sucesso. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.

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