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Centrão aponta problemas de Lula e crises do governo como fator de crescimento de Flávio

Por Rogenilson Reis 4 min de leitura

Lideranças do centrão apontam erros do governo do presidente Lula (PT) e a crise institucional recente envolvendo o Banco Master como principais causas do avanço de Flávio Bolsonaro (PL) na pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (7). Essas figuras avaliam que o empate técnico é resultado mais de demérito do petista do que de mérito do senador.
Ouvidos sob reserva pela reportagem, eles afirmam que Lula começou mal o ano e avaliam que o governo foi tragado pela crise do Master com o STF (Supremo Tribunal Federal).
As lideranças reconhecem que a crise do Master é ruim para todos os lados, mas avaliam que o governo é quem mais perde nessa equação. Na leitura desses políticos, a população tende a misturar os Poderes, mas o antagonismo do bolsonarismo a Lula e ao STF impede que ele seja alvo central dessa crise.
Outro fator do noticiário que colaborou para o desgaste de Lula, citam esses líderes, foi o desfile de Carnaval em homenagem ao presidente, que retratou famílias em latas de conserva. A representação, a despeito de não ter contado com aval do petista, gerou repercussão entre os conservadores, principalmente evangélicos.
Pesquisa Datafolha mostrou que a homenagem da escola de samba foi considerada inadequada por 71% dos eleitores. Mesmo entre os que votaram em Lula em 2022, quase a metade (49%) desaprovou a iniciativa.
Na leitura desses políticos, a quebra de sigilo do filho do presidente, o Lulinha, no âmbito da CPI no INSS, trouxe pouco efeito negativo para o presidente diante de um noticiário já conturbado. A tentativa de moderação de discurso de Flávio, afirmam, colaborará para uma eventual diminuição de rejeição do pré-candidato do PL, mas com efeito a ser medido a médio prazo.
Esses líderes, apesar do destaque ao noticiário recente, afirmam que o problema do governo é estrutural. Eles avaliam que Lula ficou encastelado no Planalto, colocando apenas petistas no comando dos ministérios palacianos. A única exceção foi aberta em outubro último, quando o presidente colocou o psolista Guilherme Boulos na Secretaria-Geral da Presidência.
Eles julgam que o resultado foi a falta de ideias novas, com limitada percepção de melhoria de vida na população. O centrão avalia que a economia não vai mal, mas iniciativas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, principal bandeira eleitoral do governo, não surtiu ainda o efeito esperado. A medida entrou em vigor em janeiro, com trabalhadores não mais tendo o desconto em folha de pagamento.
Outro ponto que deixa essas lideranças céticas quanto ao poder de reação de Lula é a guerra no Oriente Médio. Eles acreditam que, em caso de um conflito alongado e de caráter regional, a disparada do petróleo aumentará o preço dos combustíveis e recairá sobre a avaliação do governo.
A previsão dessas lideranças do centrão é que Flávio pode ultrapassar numericamente Lula nas próximas pesquisas. O governo, como mostrou a Folha de S. Paulo, acredita que o presidente deve se recuperar com o início da campanha eleitoral, quando pretendem de fato bombardear o adversário.
O centrão acredita, de toda forma, de que esta eleição seguirá a máxima de plebiscito sobre o atual presidente. Citando os 41% de intenção de voto de Ratinho Júnior (PSD) num cenário de 2º turno contra Lula, sem Flávio, esses presidentes de partidos consideram que qualquer nome posto como oposicionista poderia angariar o eleitorado insatisfeito com a atual gestão.
A PESQUISA
A nova pesquisa foi a primeira feita pelo instituto desde que Flávio foi lançado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a partir da cadeia. Recebida inicialmente com ceticismo, dada a preferência do centrão pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), a pré-candidatura se firmou.
Flávio se aproximou de Lula nas simulações de primeiro turno e empata tecnicamente na de segundo, marcando 43% ante 46% do rival.
O Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios de terça-feira (3) a quinta-feira (5). Com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026.

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