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Com medo de cair no esquecimento, Bolsonaro joga filho nas eleições de 2026

Por Rogenilson Reis 3 min de leitura

O anúncio do senador Flávio Bolsonaro (PL) como pré-candidato oficial do bolsonarismo para as eleições presidenciais de 2026, uma decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), jogou um balde de água fria nas intenções da chamada “direita lúcida” brasileira e do centrão.

Partidos como o União Brasil, PP, PSD, Republicanos e Novo esperavam que outro nome fosse tentar derrotar o presidente Lula (PT) com o apoio de Jair Bolsonaro, sendo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (RP), o mais provável — embora essas legendas também tenham outros pré-candidatos já lançados.

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Ao indicar o próprio filho, o ex-presidente garante que seu nome continue em evidência nas discussões políticas, uma estratégia para não ser esquecido, já que está inelegível e preso, cumprindo pena pela tentativa de golpe de Estado.

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A decisão de Bolsonaro impede que surja outro protagonista anti-Lula e anti-PT, como Tarcísio de Freitas, que inevitavelmente ganharia autonomia e independência do nome Bolsonaro a partir da campanha e do crescimento da musculatura política de uma corrida presidencial.

Jair Bolsonaro sabe que a única coisa que lhe restou foi uma parte de seu capital político, já desidratado, e não está a fim de dividir com ninguém que não seja da sua própria família, sob risco de cair mais rápido nas páginas do passado.

Caso se concretize a candidatura de Flávio Bolsonaro, a tendência é a repetição da polarização de 2022 na disputa do ano que vem, com vantagem para o presidente Lula por dois motivos: a rejeição a um nome da família Bolsonaro é imensa; se o petista derrotou o pai naquele ano, chega com mais força para derrotar o filho em 2026.

Mesmo que o presidente Lula também enfrente forte rejeição, a família Bolsonaro piorou o desgaste em torno do grupo diante dos fatos ocorridos desde que perderam as eleições em 2022, sendo os mais expressivos a tentativa de golpe de Estado, as medidas contra a soberania do Brasil articuladas por Eduardo Bolsonaro (PL) direto dos Estados Unidos e a própria prisão de Jair Bolsonaro e seus aliados.

Ainda existe a possibilidade de a direita apresentar um candidato fora da polarização Lula x Bolsonaro, mas não será tarefa fácil viabilizar um nome direitista e anti-Lula sem os votos do bolsonarismo, o que favorece mais uma vez o presidente Lula, que tem todo o campo da esquerda e da centro-esquerda unido e alinhado a uma única candidatura, a petista.

Michelle teve que aceitar – Uma das cotadas à sucessão bolsonarista, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro precisou aceitar a decisão do marido. Ontem, ela manifestou apoio público à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República em 2026. O apoio dela ocorre poucos dias após um desentendimento interno na família envolvendo a disputa pelo palanque do PL no Ceará. Em publicação nas redes sociais, Michelle desejou bênçãos ao primogênito de Bolsonaro e afirmou que espera que Deus conduza “o caminho para o bem da nação”.

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