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Correios vivem corrida contra o tempo para levantar R$ 10 bilhões e planejam demissão de 10 mil funcionários

Por Rogenilson Reis 5 min de leitura

Imersos em dificuldades financeiras, os Correios correm contra o tempo para levantar ao menos R$ 10 bilhões em 15 dias. Os recursos são necessários para equilibrar as contas e recuperar a capacidade operacional para conseguir se salvar de um cenário que pode se tornar ainda mais catastrófico. A expectativa da direção da empresa estatal é obter o valor via empréstimo, com garantia da União, até o fim do mês.

O montante corresponde à metade dos R$ 20 bilhões que a estatal almejava inicialmente, mas ela foi forçada a rever a estratégia diante do alto custo cobrado pelos bancos na primeira rodada de negociações da empresa comandada por Emmanoel Rondon.

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A chegada do empréstimo também é fundamental para colocar de pé as iniciativas de saneamento das despesas dos Correios. O principal foco é a redução de gastos com pessoal. A ideia é propor um Programa de Demissão Voluntária (PDV) para alcançar 10 mil funcionários. Isso, porém, tem um custo.

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No último PDV, de um público potencial de 8 mil funcionários que manifestou interesse em se desligar da empresa, apenas 3,6 mil fizeram a adesão.

A avaliação na atual direção da empresa é que, desta vez, será necessário oferecer condições para chegar à meta de 10 mil desligamentos. A ideia é convencer esses trabalhadores de que será vantajoso deixar a empresa com o PDV. A meta é reduzir a folha salarial em R$ 2 bilhões por ano.

O objetivo agora é conseguir o máximo de recursos emprestados, mas com custo financeiro de até 120% do CDI (que segue a taxa Selic), limite normalmente considerado em operações com garantia da União. A estatal enviou a proposta para um grupo de cerca de dez bancos e espera a resposta até o fim do mês.

Com a redução do valor do empréstimo, a empresa espera aumentar a oferta de crédito, incluindo, inclusive, bancos de menor porte nas conversas.

Na primeira rodada, a taxa cobrada pelos bancos BTG Pactual, Citibank, ABC Brasil e o Banco do Brasil foi considerada muito elevada para uma operação que será avalizada pelo Tesouro Nacional — ou seja, se a empresa não pagar, a União arca com o custo. O risco para as instituições financeiras, na prática, é zero. Procurados, os bancos não comentaram o assunto.

O custo da oferta chegou a 136% do CDI, o que acarretaria um custo de cerca de R$ 3 bilhões por ano somente de juros, segundo um interlocutor envolvido nas negociações. O Comitê de Garantias do órgão estabelece um custo máximo aceitável para que uma operação seja elegível à garantia da União, que atualmente é de 120% do CDI.

O percentual não é uma restrição em si, mas uma prática usada pelo órgão para evitar excessos nas operações de crédito com estatais e entes subnacionais. Empréstimos para estados em regime de recuperação fiscal, por exemplo, não observam esse limite, porque são naturalmente mais arriscados.

No caso dos Correios, porém, a ideia é perseguir esse parâmetro. Por isso, a estatal abriu uma nova rodada de negociações e ampliou o rol de bancos consultados. Na proposta, a empresa disse que quer captar até R$ 20 bilhões, com uma taxa máxima de 120% do CDI.

Nesse contexto, é considerado razoável obter ao menos R$ 10 bilhões no curto prazo diante do interesse manifestado pelas instituições financeiras e fazer outra rodada para conseguir o restante mais para frente.

É possível que a operação seja feita com um sindicato de bancos, o mesmo modelo de um empréstimo que a estatal contraiu anteriormente com Citibank, BTG e ABC Brasil.

Para evitar questionamentos futuros, a direção dos Correios já se reuniu com o Tribunal de Contas da União ( TCU) e apresentou as linhas gerais de seu plano de reestruturação para que a corte possa acompanhar o processo desde o início.

O dinheiro do empréstimo é considerado necessário para equacionar o caixa da empresa, pagar as dívidas e compromissos em atraso, além de colocar de pé o plano de reestruturação da empresa.

A empresa registrou um prejuízo acumulado de R$ 4,3 bilhões em 2025. Apenas no segundo trimestre, entre abril e junho, o resultado negativo atingiu R$ 2,6 bilhões, quase cinco vezes o registrado em igual período do ano anterior, de R$ 553,1 milhões. Além disso, o prejuízo mensal do caixa tem ficado em torno de R$ 750 milhões

Atraso nas entregas

Ao publicar suas demonstrações contábeis, a estatal ressaltou que enfrenta desafios econômicos e concorrenciais e cita restrições financeiras.

Equilibrar as contas é visto pela empresa como imprescindível, por exemplo, para regularizar a situação com os fornecedores, que estão sem receber, e, consequentemente, as entregas, que estão chegando com atraso maior do que o desejado. O diagnóstico interno é que a situação da estatal gera uma bola de neve, que se traduz em menos contratos e perda de receita.

Atualmente, o índice de entregas no prazo está em 92% e a empresa considera que precisa superar 95% para evitar perder clientes e conseguir novos contratos. A estatal já conseguiu uma recuperação em relação ao pior momento da operação, em que o índice chegou a 76%, no primeiro semestre, mas a avaliação agora é que uma nova melhora depende do equacionamento da situação financeira da empresa. Isso daria mais tranquilidade para negociar com os grandes clientes, como as plataformas de comércio eletrônico. (Foto: EBC).

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