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Estado é potência nacional na fruticultura; Juazeiro se destaca em primeiro lugar na Bahia

Por Rogenilson Reis 6 min de leitura

Frutas mais cultivadas são banana, manga e laranja, mas há espaço até para as amazônicas

Por: Letícia Belém

A manga é um dos grandes destaques da fruticultura na Bahia, que responde por 42,93% da produção nacional

A manga é um dos grandes destaques da fruticultura na Bahia, que responde por 42,93% da produção nacional – Foto: Jonas Santos / Divulgação

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A Bahia produz tantas variedades de frutas em abundância, em mais de 85% do seu território, e em volumes crescentes a cada ano, que poderia ser conhecida como ‘Terra das Frutas’. Pense em uma delas e se surpreenda em saber há produção local. São 664 mil hectares plantados de frutas e 28 milhões de hectares ocupados com frutas nativas, sem intervenção humana. Com pomares distribuídos por 357 municípios, a Bahia se consolida como o segundo maior estado produtor de frutas frescas do País, atrás apenas de São Paulo.

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Esse número diz repeito à totalidade da produção das variedades existentes, das lavouras permanentes e temporárias, unindo os grandes, médios e pequenos fruticultores, além dos agricultores familiares. São mais de 5 milhões de toneladas de frutas cultivadas no estado por ano, o que faz com que a Bahia, sozinha, responda por mais de 10% da produção brasileira. Os dados são do Censo Agropecuário 2017 e da Pesquisa Agrícola Municipal 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri); da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI); e da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).

Com toda a rica diversidade frutícola, a Bahia se destaca por liderar o cultivo de guaraná, manga e maracujá no Brasil, sendo responsável, respectivamente, por 63%,17, 42,93% e 32,65% da produção nacional. O estado é também o segundo maior produtor do País de mamão, limão, cacau, abacate, abacaxi e coco; e o terceiro maior de açaí, banana, melão e goiaba. Ocupa ainda o quarto lugar no cultivo de laranja, uva, melancia e marmelo.

Há outras frutas que também são produzidas na Bahia e que totalizam 348 toneladas, com volume de produção abaixo de uma tonelada e ainda as protegidas pelo sigilo estatístico. São elas: cajá, mangaba, seriguela, tamarindo, umbu, morango, amora preta, framboesa, ameixa, cereja, jambo, lichia, kiwi, pomelo (laranja da polpa vermelha), maçã, pera, nêspera, pêssego, damasco, macadâmia e tâmara. Ou seja, a Bahia tem uma diversidade de produção de 54 tipos de frutas e suas variedades, para todos os gostos e sabores. A título de curiosidade e para se ter uma ideia das pesagens, um carro grande SUV pesa duas toneladas e um ônibus lotado com 70 passageiros, 20.

De acordo com a Seagri, os dez maiores produtores de frutas do estado, que foram convidados a expor os seus portfólios junto ao governo da Bahia na Fruit Attraction São Paulo – a maior feira de frutas da América Latina –, em abril deste ano, são as empresas

Schmidt Agrícola (banana e cacau); Itaueira Agropecuária (melões); Grand Valle Agrícola Importadora e Exportadora (uvas e mangas); Song River Fruits (mamões papaya e formosa); Mix Fruits (duas variedades de uvas e duas de manga); Frutecon (banana prata, banana nanica e mamão formosa); Unicafés (todas as frutas e os processados); Kuará Frutas (uvas brancas, pretas e vermelhas); além das vinícolas Vaz e Miolo, cujos cultivos de uvas de mesa se destinam exclusivamente à produção industrial de vinhos e espumantes.

Schmidt Agrícola

Uma das maiores empresas do agronegócio baiano, a Schmidt Agrícola incorporou a cultura da banana em 2017 e a do cacau em 2021. A bananicultura foi ampliada e hoje ocupa uma área cultivada de 260 hectares, distribuídos em fazendas nos municípios de Barreiras, Riachão das Neves e Bom Jesus da Lapa, com produção anual de 13 mil toneladas de frutas, que dão o ano todo.

Já o plantio do cacau no semiárido é um projeto bem-sucedido da Schmidt, implantado em 250 hectares em Riachão das Neves, Barreiras e Cocos, com volume atual de produção de 260 arrobas de fruto produzido por hectare, o que soma 975 toneladas por ano. A previsão é ampliar a área total da cacauicultura para 400 hectares, o que possibilitará aumento da produção para 1,6 milhões de toneladas por ano, em parceria com a Cargill na pesquisa de produção agrícola.

O sócio da empresa, David Schmidt, conta que, somando os produtores vizinhos e amigos, existem hoje mil hectares de cacau plantados no Oeste da Bahia, mas há um déficit enorme na produção no País, que colapsou sem se atentar à modernização da cultura. “Era preciso se ter mais de 80 mil hectares de cultivo do cacau, entre implantação e renovação, para se atender à demanda interna do mercado nacional e passarmos a sermos autossuficientes na cacaicultura”, apontou. Hoje o Brasil importa cacau da África e exporta para o mundo os produtos derivados.

Com a carência na produção no mundo inteiro, a Schmidt decidiu implantar este ano o maior viveiro de mudas de cacau para a comercialização de dois milhões de unidades por ano. Além disso, vem realizando eventos nacionais para discutir o desenvolvimento de tecnologias e inovações para este novo momento de modernização da cacauicultura no Cerrado baiano, além de compartilhar conhecimento e propiciar novas oportunidades de negócios em uma época em que o fruto está altamente valorizado no mercado devido à escassez.

Para David Schmidt, a Bahia é uma terra privilegiada que tem grande potencial para a fruticultura, principalmente nas áreas áridas, o que é um diferencial competitivo. Segundo ele, além da baixa infestação de doenças, ao se fazer a gestão hídrica com a irrigação para resolver o problema da seca, essas regiões produzem frutos o ano inteiro e com maior qualidade, tendo o sol sempre brilhando.

Ele avalia que o setor poderia melhorar se o governo do Estado implantasse uma Ceasa no Oeste baiano para ajudar na logística, principalmente para as frutas, que são perecíveis, para que elas cheguem até a mesa do consumidor. Há também demanda de fornecimento de energia elétrica regular, sem tantas falhas, já que o setor depende fundamentalmente disso para a irrigação e para manter o armazenamento das frutas nas câmaras frias.

Além desses dois pontos críticos, Schmidt acrescentou que não existe nenhum programa de fomento do governo tanto para a implantação da irrigação quanto de crédito para atender a fruticultura. “O cacau é um produto de alto valor agregado. Pequenos produtores também podem atuar, reunidos em cooperativas para comercialização para os mercados. O plantio de cacau em um hectare já rentabiliza uma receita de R$ 6 mil por mês”, analisa. Atualmente, todo o cacau da Schmidt é enviado às fábricas de Ilhéus para a produção industrial de chocolate e derivados, como cachaça de cacau e nibs.

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