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Fim de ‘trisal’, ciúmes e facadas: a relação a três que terminou em uma morte trágica

Por Editor Vale Comentar 5 min de leitura

Investigação apontou que acusado matou o rival após companheira decidir encerrar o relacionamento entre os trêsJovens viviam relação a três Crédito: Reprodução

O assassinato do auxiliar administrativo Bruno Botelho Vieira, de 23 anos, em julho de 2019, é um dos casos criminais mais incomuns do Brasil. O jovem foi morto a facadas em Santos após o fim de um relacionamento amoroso envolvendo três pessoas. O autor do crime, o operador de telemarketing Luiz Felipe de Oliveira Galdino, de 25 anos, confessou ter matado Bruno por não aceitar que a companheira colocasse fim ao “trisal” para permanecer apenas com a vítima, de acordo com informações do g1 na época.

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O caso chamou atenção pela dinâmica do relacionamento, pela confissão imediata do acusado e pelo desfecho judicial, que terminou com a condenação do réu pelo Tribunal do Júri. O homicídio aconteceu na madrugada de 3 de julho de 2019, em um bairro de Praia Grande, no Litoral de São Paulo.

O crime

Luiz Felipe, Bruno e uma jovem de 20 anos moravam no mesmo apartamento e mantinham um relacionamento amoroso entre os três. Segundo a Polícia Civil, a convivência havia se tornado conflituosa depois que a mulher decidiu encerrar a relação com Luiz Felipe e continuar apenas ao lado de Bruno. A decisão, tomada um dia antes do crime, teria provocado a revolta do acusado.

Em depoimento à polícia, a jovem confirmou que mantinha um relacionamento simultâneo com os dois homens e afirmou que havia comunicado o fim da relação com Luiz Felipe na terça-feira, 2 de julho. Ela também relatou que os dois tinham uma filha de dois anos. Conforme a investigação, o operador de telemarketing não aceitou a separação e passou a ameaçar Bruno.

Segundo a mulher, ele chegou a dizer que mataria ele caso a jovem mantivesse a decisão. Na madrugada seguinte, Bruno saiu de casa após receber mensagens da companheira para encontrá-la. No local combinado, foi surpreendido por Luiz Felipe. De acordo com a investigação, o acusado desferiu três golpes de faca no abdômen da vítima. O ataque foi rápido e impediu qualquer reação de defesa.

Acionada, a Polícia Militar encontrou uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestando os primeiros socorros. Bruno foi encaminhado em estado grave para a Santa Casa de Santos, mas não resistiu aos ferimentos. A mulher acompanhou o atendimento até o hospital enquanto os policiais preservavam o local do crime e apreendiam a faca utilizada no homicídio.

Confissão do crime

Pouco tempo depois, Luiz Felipe retornou ao apartamento e confessou espontaneamente aos policiais que havia esfaqueado Bruno. Ele recebeu voz de prisão em flagrante e foi encaminhado para a Cadeia Pública de Santos. A Polícia Civil solicitou exames ao Instituto de Criminalística (IC) e ao Instituto Médico Legal (IML) para complementar a investigação, que inicialmente registrou o caso como homicídio simples.

O crime rapidamente ganhou repercussão nacional devido ao contexto do relacionamento entre vítima, autor e a jovem. Dias após o homicídio, a mãe de Bruno chegou a acusar publicamente a mulher de ter participação na morte do filho, hipótese que não foi confirmada pela investigação. A jovem também afirmou que, já preso, Luiz Felipe comentou com familiares que ninguém deveria estar surpreso com o assassinato, pois ele dizia havia algum tempo que mataria Bruno.

Tribunal

Dois anos depois, em agosto de 2021, Luiz Felipe foi levado a julgamento pelo Tribunal do Júri. A sessão ocorreu no Fórum de Santos e durou pouco mais de 11 horas, tornando-se o primeiro júri híbrido da região, com parte das testemunhas sendo ouvidas de forma remota em razão da pandemia de covid-19.

Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que o crime foi motivado por ciúmes e pela inconformidade do acusado com o fim do relacionamento. Os jurados acolheram a tese da acusação e reconheceram que Luiz Felipe praticou homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e por impossibilitar a defesa da vítima. A pena inicialmente fixada foi de 18 anos de prisão, mas o juiz reduziu dois anos em razão da confissão espontânea do réu, estabelecendo a condenação definitiva em 16 anos de reclusão.

A defesa anunciou que recorreria da decisão, alegando nulidades ocorridas durante o processo, além de sustentar que o veredicto seria contrário às provas produzidas nos autos e questionar o cálculo da pena. Apesar do recurso, Luiz Felipe deixou o Fórum preso, condição em que permanecia desde a prisão em flagrante.

O assassinato de Bruno Botelho Vieira permanece como um dos casos mais emblemáticos envolvendo crimes passionais no estado de São Paulo. A combinação entre o fim de um relacionamento a três, o ataque cometido por ciúmes, a confissão do autor e a condenação pelo Tribunal do Júri transformaram o episódio em um dos homicídios de maior repercussão na região, lembrado até hoje como um exemplo extremo da violência provocada pela incapacidade de aceitar o término de uma relação.

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