Guerra no Oriente Médio pode afetar fertilizantes e alimentos, diz ministro da Fazenda
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a guerra no Oriente Médio pode provocar efeitos indiretos sobre a produção de alimentos ao afetar cadeias de insumos como fertilizantes.
“Os riscos para as perspectivas econômicas intensificaram-se na direção negativa. Caso a guerra no Oriente Médio se prolongue ou se expanda pela região, as disrupções nos mercados de energia tenderão a persistir, com efeitos secundários sobre outras cadeias de suprimentos relevantes, como fertilizantes e alimentos, além de impactos adversos sobre a inflação e as condições financeiras”, declarou o ministro em documento enviado ao Comitê Monetário e Financeiro Internacional.
Segundo Durigan, uma eventual crise de refugiados também poderia escalar os efeitos “desestabilizadores” em diversas regiões.
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“A possibilidade de escalada adicional do conflito agrava as cicatrizes ainda presentes de choques anteriores. Em muitos países, o espaço fiscal é limitado e os colchões de proteção são reduzidos. O sistema global de comércio permanece fragilizado, e a fragmentação geoeconômica tende a se intensificar. As mudanças climáticas e a degradação ambiental continuam a representar ameaças existenciais à humanidade e devem ser enfrentadas com urgência pela comunidade internacional”, disse.
Ao falar do Brasil, o ministro afirmou que o país está em posição sólida para lidar com o aumento dos preços de energia, mas fez uma ressalva: parte desse efeito positivo pode ser compensada por dificuldades no acesso a fertilizantes, que são fundamentais para o agronegócio brasileiro.
O documento também aponta que esse cenário pode vir acompanhado de outros fatores, como redução da demanda global, aumento dos preços de importação e condições financeiras mais restritivas.
Na avaliação do ministro, o conflito já desorganizou os mercados globais de energia e pode afetar também o de alimentos. Com isso, há risco de aumento de preços, perda de renda das famílias e maior dificuldade para conter a inflação no mundo.
“Em todo o mundo, o aumento dos preços de energia e alimentos tende a corroer a renda real, reduzir o consumo e dificultar os processos de desinflação em curso. A combinação de crescimento mais fraco e pressões inflacionárias ascendentes suscita preocupações quanto a dinâmicas de estagflação mundo afora e evidencia a crescente complexidade da política econômica”. (Foto: Washington Costa/MF).











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