Imagens mostram antes e depois do Angari, comunidade ribeirinha de Juazeiro, após aumento da vazão em Sobradinho
O cenário na comunidade ribeirinha do Angari, uma das mais tradicionais e antigas do município de Juazeiro, no Norte da Bahia, está diferente. Com o rio São Francisco mais volumoso, agora a água está beirando as residências da comunidade, e o Nego D’água, que meses atrás estava ‘com os pés na areia’, agora está mergulhado nas águas do Velho Chico.
O volume maior no rio se deu após a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) aumentar a vazão (água liberada) do Reservatório de Sobradinho, que passou de 800 metros cúbicos por segundo (m³/s) na sexta-feira (30), para 2.900 m³/s na quinta-feira (5). É a maior vazão liberada por Sobradinho desde 2013, período em que a Bacia do Rio São Francisco enfrentou uma grave e longa escassez hídrica.
Com isso, o cenário mudou. A estátua do Nego D’água, personagem lendário do Velho Chico e que tem 12 metros de altura, por vários anos, ficou cercada apenas pela areia. Com a elevação da vazão, a estátua, que antes estava somente com sua base dentro do rio, voltou a ficar parcialmente submersa nas águas do Velho Chico. Nos registros feitos pelo fotógrafo Alfredo Andrade, é possível notar a grande mudança no cenário visto na última sexta-feira e hoje pela manhã. Uma grande faixa de areia, visível até o final de semana, agora não mais existe.
Leia também: SAAE combate ligações clandestinas e retoma abastecimento do Park Jatobá e Park Residencial


registros feitos em 30.10 e 05.11, respectivamente
(foto: Alfredo Andrade/@alfredo.l.andrade)
A Chesf destaca a importância de a população não ocupar as áreas ribeirinhas situadas na calha principal do rio, entre o trecho de Sobradinho até a foz, com o objetivo de garantir a segurança de todos. Na sexta-feira, o PNB conversou com o presidente da associação moradores do bairro, Neguinho do Angari, como é conhecido, que ressaltou que apesar do aumento, não haveria risco da água invadir as casas que estão na parte costeira do rio.


registros feitos em 30.10 e 05.11, respectivamente
(foto: Alfredo Andrade/@alfredo.l.andrade)
O PNB voltou a tentar contato com o presidente da associação nesta quinta-feira, para ter uma atualização sobre a situação da comunidade, mas não obteve retorno.
Cenários urbanos alterados
Ontem (4) o PNB já havia mostrado que o aumento da vazão alterou completamente o cenário em pontos urbanos de Juazeiro. As barquinhas, por exemplo, que antes estacionavam na margem do rio, agora param exatamente em cima da faixa exclusiva para o trânsito de bicicletas. Na Orla II, nem mesmo os pilares escaparam da água, que também invadiu parte da margem, deixando algumas áreas submersas (veja na íntegra).

(foto: Sarah Pierri/@vidacontente)
Angari
A origem do Angari está associada às lavadeiras de beira rio, as chamadas Angaris, que para ajudar no sustento de suas famílias lavavam roupas por encomenda e se acomodavam às margens do rio onde o terreno era mais plano devido ao assoreamento causado pelas grandes enchentes. À espera de seus maridos, que saiam a pescar, as lavadeiras cuidavam em viabilizar o trabalho de suas famílias ocupando o espaço de beira-rio.
Toda a ocupação do bairro se deu de forma irregular e crônica, tendo em vista que as casas foram construídas de forma aleatória, não havia respeito a construções arquitetônicas nem ao urbanismo, o que acarretou, como uma das mais graves consequências, na inexistência de saneamento básico.
Fonte: Preto no Branco











Deixe seu comentário