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Instituto estima que mercado ilegal de bets pode ter crescido 101% após proibição no Brasil

Por Rogenilson Reis 3 min de leitura

Simulação do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável considera que 70% dos apostadores migraram para plataformas clandestinas após a medida

Entidades ligadas às plataformas virtuais de apostas de quota fixa, as bets, afirmam que a proibição da atividade no Brasil impulsionou o mercado clandestino. Passado pouco mais de um mês da assinatura da MP 1.394/2026, que proibiu as apostas online no país, uma projeção do setor estima que a atividade ilegal possa ter crescido 101%, considerando a hipótese de migração de 70% dos apostadores.

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A projeção é uma simulação do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), entidade que representa empresas do setor, com base em estimativas da LCA Consultoria Econômica sobre a participação das plataformas clandestinas no mercado. Segundo o cálculo, somente a expansão do mercado paralelo poderia adicionar uma receita bruta de R$ 28,1 bilhões ao ano. A simulação é ilustrativa e considera apenas a métrica Gross Gaming Revenue (GGR), que corresponde à diferença entre o valor apostado e os prêmios pagos.

Antes da proibição, em setembro, o IBJR aponta que o mercado regulado representava 59% das apostas realizadas pelos brasileiros. Os 41% restantes correspondiam a operadoras clandestinas e estrangeiras. No cálculo, o GGR anual da atividade legal era de R$ 40,1 bilhões, enquanto o da atividade irregular era de R$ 27,9 bilhões.

Com a proibição no território nacional, a simulação acrescenta aos 41% da atividade ilegal preexistente uma nova parcela de 41,3 pontos percentuais do mercado anterior à medida, correspondente aos apostadores que teriam migrado. A expectativa, portanto, é de que a atividade clandestina já consolidada e a nova parcela de apostadores tenham, juntas, receita total de R$ 56 bilhões ao ano.

Dados da LegitBet — plataforma de monitoramento e rastreamento de sites de apostas online e jogos virtuais no Brasil, operada pelo próprio IBJR — identificaram 60.477 endereços suspeitos de oferecer apostas clandestinas após a proibição. Em 34.134 deles, a ferramenta encontrou elementos ligados à atividade, como bônus, cadastro de usuários e pagamentos por Pix. O balanço considera dados até o dia 27 de outubro. A MP foi assinada em 25 de setembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a proibição passou a valer em 6 de outubro.

Para o IBJR, o levantamento confirma que “a atividade remanescente no país hoje ocorre à margem da lei, sem o pagamento de impostos, sem a proteção ao consumidor e remetendo dinheiro para o exterior”. Pela simulação, porém, teriam deixado de apostar 30% dos usuários de plataformas regulamentadas, o equivalente a 17,7% do mercado anterior à proibição. Isso representaria R$ 12 bilhões em GGR que deixariam de movimentar o mercado de apostas online.

O Ministério da Justiça informou ter encaminhado para bloqueio, em outubro, mais de 20 mil sites de apostas e publicidade irregulares. Em meio ao debate sobre os efeitos da proibição, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), ouve nesta terça-feira (3) representantes do governo e do setor em audiência sobre a medida.

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