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Juá Literária inicia sua segunda edição celebrando a leitura, a memória e a identidade de Juazeiro

Por Rogenilson Reis 5 min de leitura

O maior evento literário do interior do Nordeste estreou, nessa segunda-feira (20),  com ousadia, beleza e uma vasta programação cultural. A segunda edição do Festival Juá Literária já é realidade e trouxe o fabuloso universo da leitura, da arte e do encanto em verso e prosa para pertinho do juazeirense. Do pequeno estudante ao adulto […]

O maior evento literário do interior do Nordeste estreou, nessa segunda-feira (20),  com ousadia, beleza e uma vasta programação cultural. A segunda edição do Festival Juá Literária já é realidade e trouxe o fabuloso universo da leitura, da arte e do encanto em verso e prosa para pertinho do juazeirense. Do pequeno estudante ao adulto leitor, as palavras inundaram a cidade como um rio.

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A Orla 2 de Juazeiro tem sido uma enorme livraria a céu aberto, rodeada por uma infinidade de atrações culturais, atraindo famílias, estudantes, leitores, escritores, músicos, poetas e amantes da arte da palavra escrita, cantada, recitada. Com o tema “Palavras que navegam pelo tempo”, o festival promete trazer à memória do juazeirense a riqueza cultural da nossa cidade, mostrar que Juazeiro é cidade de grandes e voltou a ser uma cidade leitora.

Foto: Gilson Pereira

O Palco Flijuá mostrou que memória é pertencimento. O espaço promoveu o “Encontro Mestres dos Saberes de Juazeiro”, que nasceu da necessidade de valorizar e preservar o conhecimento de quem representa a história, a cultura e a identidade da cidade. Jomar Benvindo, diretor de Turismo de Juazeiro, reuniu para uma conversa sobre tradição, direitos, luta e resistência, Dona Ovídia, matriarca do Samba de Veio, manifestação cultural centenária da Ilha do Massangano, que mistura influências africanas e indígenas em um lindo espetáculo de cores, ritmo e beleza; Valdir Lemos, repentista e cordelista que exalta as tradições e a beleza do Nordeste; e Jesulene Ribeiro, mais conhecida como Nenenzinha, responsável pelo Cordão dos Penitentes de Juazeiro. Essas três pessoas carregam consigo uma riqueza inestimável que abraça Juazeiro e faz parte da construção identitária da cidade. Ouvi-las e aprender com elas é um privilégio indefinível. Ricas são nossas crianças, que tiveram a oportunidade de ouvi-las e se admirar com suas histórias.

Foto: Gilson Pereira

E não parou por aí. Maurício Dias, o querido Mauriçola, apresentou a aula-show “Juazeiro por Juazeiro”, que encantou crianças e adultos com imagens da cidade em diferentes anos e falou sobre suas fases, suas lutas e vitórias. A Juazeiro que conhecemos hoje tem dentro de si inúmeras Juazeiros que dormem abraçadas pelo rio.

Itállo David é estudante do segundo ano do ensino médio e mora na vizinha Petrolina. David atravessou a ponte em busca dos seus mangás preferidos e aproveitou para ouvir um pouco das histórias no Palco Flijuá. “Eu gosto muito de livros e vim hoje visitar, mas vou voltar amanhã para comprar os livros que eu gosto. Eu achei a feira muito legal, ela incentiva muito a leitura. Inclusive, achei ela enorme. Tem muitos livros que a gente não encontra na região e aqui, pelo que eu vi, a gente encontra livros físicos e com preço bom.”

Assim como David, pequenos e jovens leitores, com suas sacolas de livros, caminhavam eufóricos pela Flijuá, atraídos pelo magnetismo dos livros e pelo universo dentro deles. Em um virar de páginas, tinham o mundo em suas mãos. Dentre tantas atividades, estavam a Carreta Literária, que entregou música e brincadeiras; o Busarte, que trouxe a magia do teatro; e a Juazinha, que mostrou que criança também põe a mão na massa, ou melhor, nas massinhas.

Foto: Gilson Pereira

Tenda das Palavras: Música Regional e Literatura Antirracista

Durante a abertura oficial do Festival Juá Literária, uma apresentação musical com Sarah Leandro fez o público cantar em coro aquelas canções nordestinas que aquecem o coração e movimentam os pés.

Foto: Anamauê

Logo após, uma conversa potente com o autor do livro O Pequeno Príncipe Preto, Rodrigo França, abriu o debate sobre literatura e antirracismo. Mediada pela professora Queila Patrícia, superintendente de Políticas e Ações Afirmativas da Seduc, a conversa trouxe importantes reflexões sobre a responsabilidade do professor na luta por uma educação antirracista, por um olhar menos colonizado e mais internalizado naquilo que atravessa o nosso país, nas feridas sociais que ainda sangram abertas.

Segundo Rodrigo, existem contradições que não devem fazer parte da realidade de um educador. “Existem contradições em que a gente não pode cair. Se eu me coloco como educador progressista, revolucionário, ou seja, aquele que quer modificar a estrutura, se eu me coloco com um olhar humanitário para o outro, eu não posso cair na contradição de uma educação reacionária”, destacou.

Foto: Anamauê

Bruna Brito mora no Jardim Vitória e levou sua filha, a pequena Letícia, de 8 anos, para dar um passeio pela feira. Um dos livros que Letícia escolheu foi justamente O Pequeno Príncipe Preto, e Bruna não pensou duas vezes e foi logo participar da conversa na Tenda das Palavras. Segundo ela, essa temática é de extrema importância. “Como mãe de uma criança negra, eu acho o tema importante porque as pessoas estão acostumadas a colocar as pessoas negras nesse lugar pequeno. E a fala dele de que não só os professores negros, mas todos os professores, toda a gestão, toda a equipe escolar precisam estar alimentando a autoestima das crianças negras para elas crescerem entendendo que são fruto de pessoas que trouxeram cultura, trouxeram arte e trouxeram uma religião muito rica”, disse.

Foto: Anamauê

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Texto: Thamires Costa/ Ascom PMJ

Fotos: anamauê e Gilson Pereira

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