domingo, 8 de novembro
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Maioria no país não acredita em nada do que é dito por Bolsonaro

Por Rogenilson Reis 3 min de leitura

O índice de brasileiros que não confia em nada que é dito pelo presidente Jair Bolsonaro é o maior desde que o Datafolha começou a aferir esse índice, em agosto de 2019: 55%.

É o que aponta pesquisa nacional feita pelo instituto em 7 e 8 de julho, na qual foram ouvidas presencialmente 2.074 pessoas. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
 

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A série tem 11 levantamentos até aqui. Desde o anterior, de maio passado, a desconfiança subiu de 50% para os atuais 55%. Confiam em tudo o que Bolsonaro diz 15%, ante 14% no levantamento passado. Já a avaliação de que o presidente é crível às vezes caiu de 34% para 28%.
 

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Os dados conversam com o mau estado da popularidade presidencial aferida pelo instituto, constatada nesta rodada.
 

Bolsonaro está com a pior avaliação de sua gestão e teria hoje baixa possibilidade de reeleição, segundo a fotografia captada pelo Datafolha. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o favorito neste momento.
 

O governo vive uma grave crise política, inserida na tragédia sanitária dos mais de 500 mil mortos pela Covid-19 e sombras de problemas econômicos sérios, como inflação, aperto fiscal e até racionamento de energia elétrica.
 

A CPI da Covid e apurações paralelas têm descoberto suspeitas sérias de corrupção em negociações envolvendo o Ministério da Saúde, e desde o fim de maio há protestos de rua inauditos até aqui.
 

Isso não significa que Bolsonaro esteja à beira de um impeachment, conforme avaliam líderes políticos de vários espectros. Mas sua condição política está deteriorada.
 

Não creem em nada que Bolsonaro fala mais mulheres e menos instruídos (60% de incredulidade), além de moradores da fortaleza petista do Nordeste (65%).
 

Acreditam sempre no presidente mais os maiores de 60 anos (22%), os moradores de áreas bolsonaristas como o Norte/Centro-Oeste (21%) e os aliados evangélicos (22%) –embora mesmo ali a maioria, 51%, não acredita em Bolsonaro.
 

Nos grupos mais específicos, há previsibilidade em consonância com outros aspectos captados pelo Datafolha. Para 38% dos empresários, Bolsonaro sempre diz a verdade. Já homossexuais e bissexuais, alvos da homofobia presidencial, são quase unânimes (75%) em rejeitar as falas do presidente. Tal avaliação é feita por 63% dos pretos.
 

O melhor momento de popularidade de Bolsonaro, dezembro do ano passado, já não tinha um índice muito grande de crença: 21% acreditavam no presidente. De lá para cá, a avaliação de que ele não fala a verdade subiu de 37% para o patamar atual.

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