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Política

Ministros de Lula concordam com Bolsonaro e veem ‘jogo armado’ de Caiado com Gusttavo Lima

Por Rogenilson Reis 4 min de leitura

A declaração do cantor sertanejo Gusttavo Lima de que pretende disputar a Presidência da República em 2026 foi recebida entre ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva com desconfiança e ceticismo. Assim como o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro, o anúncio do artista foi visto entre três integrantes do primeiro escalão da gestão petista como um “jogo armado” entre Lima e o governador Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), que é pré-candidato ao Palácio do Planalto.

O chefe do Executivo de Goiás é amigo pessoal do cantor e chegou a tirar férias para celebrar o aniversário de 35 anos de Lima, celebrado em um iate bilionário na paradisíaca ilha de Mykonos, na Grécia. Na leitura de ministros de Lula e aliados de Bolsonaro, Caiado teria incentivado as declarações do artista ao site Metrópoles para se blindar de críticas da direita e receber o endosso do colega mais à frente.

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Como publicou o colunista Lauro Jardim, além da estratégia visando a disputa presidencial, o entorno do ex-presidente também vê uma jogada ensaiada do governador do União Brasil para emplacar dois aliados no Senado em 2026: sua esposa, Gracinha Caiado, e o próprio Gusttavo Lima, que desistiria da empreitada nacional a seu favor.

Leia também: Ex-petista, Isaac Carvalho declara apoio a Flávio Bolsonaro no 2º turno

No campo da direita bolsonarista, há ainda a avaliação de que Lima “traiu” Bolsonaro, uma vez que o artista conversou com o ex-ocupante do Palácio do Planalto na véspera e não citou qualquer pretensão de disputar a presidência. O ex-presidente diz ser o “plano A” da direita em 2026, embora esteja inelegível até 2030 após ser condenado duas vezes pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“Isso parece jogo armado com Caiado. O negócio do Gusttavo Lima é apostar, é um homem das bets. Não passa de uma grande aposta”, ironiza um influente ministro, próximo de Lula.

Outro ministro ouvido pelo blog concorda: “É tudo fake. Tudo é para confundir, o interessante é que eles estão brigando entre si, um canta e os outros dançam.”

Gusttavo Lima foi indiciado pela Polícia Civil de Pernambuco por lavagem de dinheiro e organização criminosa, em uma investigação de um esquema que envolve jogos ilegais e bets de apostas. Em setembro do ano passado, ele chegou a ter a prisão preventiva decretada pela juíza Andrea Calado da Cruz, da 12ª Vara Criminal do Recife (PE), a pedido da Polícia Civil estadual. A decisão, no entanto, foi derrubada pelo Tribunal de Justiça pernambucano.

Enquanto petistas e bolsonaristas veem digitais de Caiado no balão de ensaio presidencial, o próprio governador de Goiás não fez questão de sinalizar simpatia à ideia de Lima. À colunista Bela Megale, Caiado disse ter “total respeito” em relação ao projeto do amigo e confidenciou que o cantor vem externando essa vontade “há muito tempo”, além de ponderar que “há espaço para todo mundo” no primeiro turno.

“Caiado é candidatíssimo”, diz outro ministro de Lula, que também vê com ceticismo a ofensiva do cantor sertanejo.

Um outro auxiliar de Lula, porém, avalia que a fragmentação do campo da direita beneficia Lula e que uma eventual pré-candidatura de Lima estimularia a pulverização de nomes.

Nas últimas duas eleições presidenciais, Goiás deu vitória a Jair Bolsonaro – em 2022, o então candidato à reeleição obteve 58,71% dos votos, ante 41,29% de Lula. Durante a campanha presidencial de 2022, Lula chegou a chamar parte do agro de “fascista”, em entrevista ao “Jornal Nacional”.

Apoio velado

PT e Caiado estão em campos diametralmente opostos, mas se uniram em Goiânia contra o bolsonarismo nas últimas eleições municipais.

Na capital do Estado, Caiado contou no segundo turno com o apoio velado de petistas para a garantir a vitória de seu aliado, Sandro Mabel (MDB), na disputa pela prefeitura de Goiânia contra Fred Rodrigues (PL), apoiado por Jair Bolsonaro. A candidata do partido de Lula, Adriana Accorsi, foi derrotada já no primeiro turno.

Do jornal O Globo.

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