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“Não é o fim, é o princípio de um novo ciclo”, diz Ancelotti após eliminação do Brasil na Copa do Mundo

Por Rogenilson Reis 5 min de leitura

A eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 não foi tratada por Carlo Ancelotti como cenário de terra arrasada. Após a derrota por 2 a 1 para a Noruega, neste domingo (5), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, o treinador concedeu entrevista coletiva e lamentou o resultado, mas defendeu a continuidade do projeto à frente do Brasil.

Questionado sobre a frustração do torcedor brasileiro, Ancelotti afirmou que a equipe deixa o Mundial com sentimento de tristeza, mas também com a necessidade de transformar a queda em ponto de partida para uma nova etapa.

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“É óbvio que estamos profundamente tristes. Acho que a equipe, até agora, fez uma boa Copa do Mundo. No jogo de hoje, merecíamos ganhar. Quando se passa por um momento assim, é preciso pensar que uma derrota é o começo de uma nova temporada. Temos que seguir melhorando, trabalhando e encontrando novas ideias. Não é o fim, é o princípio de um novo ciclo”, afirmou.

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O treinador também foi perguntado sobre o que não funcionou no plano montado para enfrentar a Noruega. Para Ancelotti, o Brasil teve momentos de controle, criou oportunidades e tentou mudar o cenário da partida com as substituições.

“Acho que, em parte, fizemos um bom jogo. Tivemos muitas oportunidades no primeiro tempo e também no segundo. Depois, mudei para deixar o time mais inteiro fisicamente e dar oportunidade para tentar ganhar o jogo”, explicou.

Um dos pontos centrais da coletiva foi a cobrança de pênalti desperdiçada por Bruno Guimarães no primeiro tempo. O meio-campista parou em Nyland em uma das principais chances brasileiras antes dos gols noruegueses. Ancelotti explicou que a escolha do cobrador foi baseada em números levantados pela comissão técnica ao longo do último ano.

“Fizemos uma estatística de um ano dos nossos jogadores e dos rivais. O melhor no Brasil era Raphinha, que obviamente não estava em campo. O melhor é Neymar, depois Igor Thiago, depois Raphinha e, depois de Raphinha, Bruno Guimarães e Martinelli. Escolhemos Bruno porque pensávamos que era o melhor em campo naquele momento”, revelou.

O italiano também negou que tenha superestimado a capacidade da Seleção de chegar mais longe no Mundial, mesmo com pouco mais de um ano de trabalho. Segundo ele, o elenco brasileiro tinha condições de competir pelo título.

“Acho que o Brasil, com esse plantel, poderia competir até o final da Copa do Mundo. No jogo de hoje, me pareceu uma partida que a equipe tinha controlado e em que teve oportunidades. Era muito mais difícil fazer pressão alta, porque a Noruega colocou muitos jogadores atrás e baixava muito o Ødegaard. Fazer pressão alta era um risco pela velocidade do Haaland no um contra um”, avaliou.

Ancelotti também foi questionado sobre como espera que a torcida reaja à eliminação e ao trabalho da comissão técnica a partir de agora. O treinador disse não saber como será a resposta do público, mas reforçou o compromisso com a Seleção Brasileira.

“Não sei. Só posso dizer que seguirei trabalhando por esta Seleção, tentando melhorar e buscar novas ideias. É o mesmo que disse a vocês durante este ano. O futebol é assim, o esporte é assim. Às vezes, é preciso saber lidar com a tristeza de uma derrota. Estou bastante acostumado a isso. Vamos lidar com esse momento com um novo impulso no trabalho e na avaliação dos jogadores”, declarou.

Por fim, Ancelotti avaliou o legado da participação brasileira na Copa. Apesar da decepção pela queda precoce, o treinador destacou o ambiente interno e agradeceu ao grupo de jogadores.

“Acho que é uma experiência decepcionante pelo resultado, óbvio. Estamos muito tristes. Mas foi uma experiência bonita. Tivemos um bom grupo. Agradeço aos jogadores, que se entregaram muito bem e criaram um bom ambiente. Mas nem sempre, no esporte, tudo sai perfeito. Pelo esforço de hoje, não merecíamos perder”, concluiu.

Com a eliminação, o Brasil encerra a participação na Copa do Mundo de 2026 ainda nas oitavas de final e chega a 24 anos sem conquistar o título mundial, igualando o maior jejum da história da Seleção entre conquistas de Copa. O intervalo repete o período entre o tricampeonato de 1970 e o tetracampeonato de 1994.

A queda também recoloca a Seleção em um patamar histórico negativo. Desde 1990, quando foi eliminada pela Argentina nas oitavas de final, o Brasil sempre havia alcançado, no mínimo, as quartas de final de uma Copa do Mundo. Com a derrota para a Noruega, a equipe iguala a pior campanha brasileira em Mundiais na era recente do mata-mata após a fase de grupos.

O próximo compromisso da Seleção já está marcado para a primeira Data Fifa após o Mundial. O Brasil fará dois amistosos contra a Austrália, em território australiano: o primeiro no dia 25 de setembro, em Townsville, e o segundo no dia 29, em Brisbane. As partidas devem marcar o início prático do “novo ciclo” citado por Carlo Ancelotti após a eliminação.

Bahia Noticias 

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