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“O mundo está desmoronando”, alerta o papa Francisco em novo texto sobre mudança climática

Por Rogenilson Reis 3 min de leitura

As reações contra o aquecimento global são insuficientes “enquanto o mundo que nos acolhe está desmoronando e talvez se aproximando de um ponto de ruptura”, alertou o papa Francisco em um novo texto publicado nesta quarta-feira (4) e com o título “Laudate Deum”.

Oito anos depois de sua encíclica sobre ecologia “Laudato Si”, e poucas semanas antes do início de uma nova rodada de negociações climáticas da ONU (COP28), em Dubai, o papa argentino alertou sobre as “pessoas que tentaram zombar dessa constatação” e pediu uma transição energética “vinculante” que possa ser “monitorada”.

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O que significa Laudato Si’?
O título de uma encíclica é normalmente tirado das primeiras palavras do documento. Ou seja: as encíclicas não recebem um título tópico, mas são nomeadas por sua expressão de abertura, muitas vezes sugestiva do tema principal da obra.

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As primeiras palavras da Laudato Si’ são italianas e traduzidas como “louvado sejas”. São uma citação do Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis, que abre a encíclica, no qual o santo louva a Deus meditando sobre a bondade do sol, do vento, da terra, da água e de outras forças naturais.

A escolha dessa passagem para iniciar a Laudato Si’ é um lembrete de como as pessoas de fé devem não apenas respeitar a Terra, mas também louvar e honrar a Deus por meio de seu envolvimento com a criação.

O documento original, de cerca de 200 páginas, foi dirigido a todos os habitantes do planeta com um chamado à ação global solidária para proteger “nosso lar comum”.

Fundamentada na pesquisa climática, a “Laudato Si” afirma, claramente, que a humanidade é responsável pelo aquecimento global e adverte que o ritmo acelerado de mudança e degradação levou o mundo a um “ponto de ruptura”.

Ao mesmo tempo, contém uma forte mensagem moral, por meio da qual Francisco culpa o consumismo, o individualismo e a busca do crescimento econômico por “espremer o planeta até secar”. O pontífice também defende que os países ricos devem aceitar que são os maiores responsáveis pela crise climática e devem ajudar os países mais pobres.

O documento gerou um debate sem precedentes para um texto religioso, com comentários em publicações científicas.

A REDEGN destaca o  “Capítulo Cinco: Algumas Linhas de Orientação e Ação” aplica o conceito de ecologia integral à vida política. Pede acordos internacionais para proteger o meio ambiente e ajudar os países de baixa renda, novas políticas nacionais e locais, tomadas de decisão inclusivas e transparentes e uma economia ordenada para o bem de todos.

Por fim, o “Capítulo Seis: Educação e Espiritualidade Ecológicas” conclui a encíclica com aplicações à vida pessoal. Recomenda um estilo de vida focado menos no consumismo e mais em valores atemporais e duradouros. Propõe educação ambiental, alegria no ambiente de cada um, amor cívico, recepção dos sacramentos e uma “conversão ecológica” na qual o encontro com Jesus leva a uma comunhão mais profunda com Deus, com as outras pessoas e com o mundo natural.

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