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Perderam o medo: bares lotados, excursões, passeios e festinhas ajudam a propagar o novo coronavírus que cresce em Juazeiro (BA)

Por Rogenilson Reis 4 min de leitura

O número de casos do novo coronavírus só aumenta, em Juazeiro, na região e na Bahia. Declarada a segunda onda da pandemia no estado, o sistema de saúde já dando sinais de fragilidade, com insuficiência de leitos, e muita gente voltou a vida normal. A situação de agora é semelhante a do início, pelo menos no número diário de casos registrados nos boletins epidemiológicos dos municípios, mas as pessoas perderam o medo, o que é pior.

O “fique em casa”, antes atendido pela maioria, está completamente ignorado. E o que se observa são bares cheios, mesmo sem música ao vivo, atendendo a decreto estadual, mas cheios. Lotados. Nada de distanciamento social.

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O PNB deu um giro por bares e alguns locais públicos, em Juazeiro, e o que viu é de preocupar. Mais um final de semana de aglomerações. Na orla I da cidade, bares com mesas muito próximas abarrotadas de pessoas, sobretudo jovens, como se nenhum risco existisse.

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Um pelotão da polícia é testemunha das aglomerações e os fiscais da lei dormem, ou quem sabe, estão se aglomerando também.

Na orla II, os estabelecimentos são mais rigorosos quanto as medidas sanitárias, e atendem as normas, mas faltam mesas. Sinal que poucos estão ficando em casa para diminuir a propagação do vírus. No parque fluvial da cidade, falta espaço pra tanta gente, que vive um clima de final de ano. Um ano trágico, aproximando-se de duzentas mortes pela covid, no Brasil.

“Tem mais pessoas curadas do que mortes”, respondeu-me uma pessoa que vem “levando vida normal”.

A mesma cena se verifica em bares mais afastados do centro da cidade. Sem respeitarem nenhum protocolo e o pessoal nem aí, é o que parece.

Há também quem tenha retomado a agenda de viagens em excursões. Na sexta (11), a noite, pelo menos 6 ônibus estavam estacionados na Raul Alves, bairro Santo Antônio, com destino a cidades turísticas, como Morro de São Paulo (BA), Aracaju (SE). Desde que foram autorizadas, as empresas de excursões voltaram a todo vapor, sem muitas dificuldades para encontrar quem queira fazer turismo em plena pandemia.

“Ah! eu estava com saudade de viajar’, declarou uma pessoa que estava embarcando para o Morro.

A circulação do vírus é intensa. Gente de cá pra lá, de lá pra cá e a propagação rola fácil.

Enquanto isso, os hospitais da região vão ficando lotados, mais pessoas vão sendo infectadas e morrendo com este mal que não foi vencido, e se alastra pela irresponsabilidade e “vontade de viver” de quem diz que “o tempo não para”, e parece não temer a morte.

“É porque não viu a covid matar ninguém da família, ninguém que ama. Ou porque não se ama, não ama ninguém”, desabafou uma pessoa que evita as ruas e só sai para o necessário.

Julgamentos a parte, tá uma lasqueira mesmo. A coisa não tá pra brincadeira. A taxa de transmissão no Brasil já e maior do que a registrada no mês de maio, auge da pandemia, segundo o Centro de Controle de Epidemias do Imperial College de Londres.

O instituto referência divulgou no início deste mês, que a taxa de transmissão do coronavírus – a chamada Rt – está em 1,30. Isso significa que para cada 100 pessoas contaminadas pelo vírus, outras 130 serão infectadas – o que representa um crescimento no ritmo de contágio da doença.

Conclui-se então que, quanto menos pessoas circulando menos o vírus se propaga. De certa forma, também é uma questão de escolha responsável, ou o Estado terá que endurecer nas decisões.

Da Redação por Sibelle Fonseca 

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