Pílulas do dia seguinte podem prevenir infecções sexualmente transmissíveis, dizem pesquisadores
Novas pesquisas sugerem que um antibiótico amplamente disponível, tomado após o sexo, pode ajudar a conter infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Uma única dose de doxiciclina tomada dentro de 72 horas após a relação sexual desprotegida reduz o risco de contrair clamídia e a sífilis. A prevenção contra a gonorreia foi menos eficaz.
A estratégia demonstrou funcionar entre mulheres e homens trans que fazem sexo com homens com alto risco de contrair uma IST. Mas as pílulas não mostraram benefícios em mulheres cisgênero (cuja identidade de gênero corresponde ao sexo atribuído no nascimento). Os dados mais recentes foram apresentados no mês passado em Seattle na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas.
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças ainda não recomendam a doxiciclina pós-exposição para prevenir doenças. Mas com base na força das novas evidências, algumas cidades como San Francisco já estão oferecendo o antibiótico para pessoas com alto risco de infecção por clamídia, sífilis e gonorreia. As autoridades de saúde estão chamando de “doxy-PEP”.
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“Embora os preservativos funcionem muito bem quando as pessoas os usam, eles nem sempre estão acessíveis às pessoas em seus relacionamentos”, disse a Dra. Jenell Stewart, médica de doenças infecciosas da Hennepin Healthcare e da Universidade de Minnesota. — Precisamos ter soluções além disso.
Com o ressurgimento das ISTs, pesquisadores e autoridades de saúde estão ansiosos para encontrar novas estratégias de prevenção. Os pesquisadores também descobriram que uma vacina contra meningite reduziu pela metade a incidência de gonorreia. As duas doenças são causadas por bactérias intimamente relacionadas.
A doxiciclina já é amplamente utilizada para prevenir a malária e tratar acne e rosácea. Seria recomendado para a prevenção de DSTs apenas para aqueles que, de qualquer forma, podem tomar antibióticos com frequência para tratar infecções.
Eficaz em homens que fazem sexo com homens
Os novos estudos analisaram principalmente o uso de doxiciclina em homens que fazem sexo com homens, responsáveis por mais de 40% das ISTs nos Estados Unidos. Geralmente, os participantes receberam um suprimento do antibiótico e foram instruídos a tomar dois comprimidos dentro de três dias após uma possível exposição a uma doença.
Um estudo de 2017 descobriu que a doxiciclina pós-exposição reduziu drasticamente a taxa de clamídia e sífilis, mas não de gonorreia, nesse grupo.
— Fomos muito cautelosos na época porque não queríamos que todos usassem a estratégia antes de ela ser confirmada — disse o Dr. Jean-Michel Molina, professor de doenças infecciosas da Paris Cité University, que liderou o estudo.
Os resultados foram reforçados pelos de outro estudo, apresentado no ano passado em uma conferência sobre HIV. Esse estudo descobriu que a doxiciclina após o sexo diminuiu a incidência de sífilis e clamídia entre os participantes em mais de 80%, e a de gonorreia em cerca de 55%.











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